Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/07/2018

Desde o Iluminismo, entende-se que que uma sociedade só progride quando se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os perigos das fake news, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do mundo, seja pela disseminação de notícias de natureza não verdadeira, seja pelas injúrias feitas, principalmente, às figuras públicas. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no mundo, a disseminação de notícias falsas rompe essa harmonia, haja vista que engana e confunde os indivíduos que leem tais matérias. Diante disso, tornam-se passíveis de intervenção os desafios enfrentados, hoje, por quem tem que discernir o que é verdadeiro e o que não é na era da informação.

Outrossim, destacam-se as injúrias caluniosas como impulsionadoras do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que todas essas mentiras vão de encontro com os ideais do sociólogo, uma vez que agem de forma individualista ignorando totalmente o fato social. Dessa forma, as fake news atuam semelhante a Segunda Lei de Newton, a Lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele e mude seu percurso, o que dificulta a aproximação do pensamento coletivo descrito por Durkheim.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o governo pode instituir políticas de penalização não só aos meios midiáticos que se apropriarem de notícias falsas para alcançar mais visibilidade, como também àqueles que compartilham essas tais notícias sem saber de sua natureza, no intuito de melhorar o ambiente e de conscientizar as pessoas a checar as fontes. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate as notícias falsas a fim de que o tecido social siga os ideais iluministas. Só assim dispor-se-iam as forças descritas por Newton e esse problema teria sua trajetória mudada, da permanência para a extinção.