Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 09/07/2018
Na Grécia Antiga, os sofistas não se preocupavam em propagar a verdade desde que os fatos mentirosos persuadissem o ouvinte. De maneira análoga, na década de 1930 no Brasil, a fim de manter a estabilidade, Getúlio Vargas elaborou, junto ao exército, o Plano Cohen, um falso artigo alegando que comunistas queriam desestabilizar a ordem e tomar posse do poder. Nesse contexto, a nota foi divulgada, promovendo propositalmente um caos social que foi utilizado pelo presidente para impor o Estado Novo. Nesse ínterim, as notícias falsas, denominadas “fake news” estão enraizadas na história do país e continuam sendo promovidas na hodiernidade. Assim, surge a problemática gravíssima da ameaça à democracia e da alienação da população que, nessa lógica, devem ser combatidas.
De fato, a disseminação de notícias falsas é um atentado à democracia. Prova disso foi o Golpe de 1964, episódio no qual a imprensa alegou que o Brasil estava sob ameaça comunista, uma vez que o presidente vigente, João Goulart, havia proposto uma reforma agrária. Nessa conjuntura, os militares tomaram o poder e implantaram a Ditadura Militar. Do mesmo modo, na contemporaneidade, a eleição de Trump, atual governante dos Estados Unidos, foi manipulada através da criação de perfis falsos em redes sociais para difundir ideias contrárias aos adversários e exaltar o presidente. Em consequência disso, a população é persuadida e perde o poder de escolha, o que é considerado antidemocrático.
Outrossim, através da propagação de fake news é possível manipular a população, promovendo assim, uma espécie de alienação. Nessa perspectiva, a mídia faz uso do sensacionalismo para abordar temas que facilitam a disseminação implícita de determinada a ideologia. Nesse sentido, torna-se cada vez mais difícil identificar a veracidade das informações encontradas nos meios, uma vez que a maioria dos veículos de comunicação disseminam muitos conteúdos tendenciosos e falsos. Por conseguinte, a imprensa perde totalmente sua credibilidade e os cidadãos permanecem desinformados e ignorantes.
Portanto, a fim de atenuar as problemáticas supracitadas, é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Sendo assim, no que tange à ameaça à democracia no país, cabe ao Ministério da Justiça reduzir a impunidade aos que publicarem conteúdos enganosos através da aprovação do projeto de lei já existente que proíbe a disseminação de notícias falsas. Só assim será possível reduzir ao máximo o número de fake news. Além disso, no que diz respeito à alienação da sociedade, é de dever do do Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações elaborar campanhas de esclarecimento por meio de comerciais televisivos que incentivem a transparência nos discursos apresentados pela mídia. Dessa forma, a imprensa retomará sua credibilidade e o povo se afastará da ignorância. Afinal, uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, como declamava Joseph Goebbels.