Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 10/07/2018
O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista, cujo título é até hoje repetido:“Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas contra a veiculação das “fakes news” — notícias falsas — no Brasil, hodiernamente, verifica-se que a profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente que a criação e disseminação dessas notícias intensificaram-se sobretudo na internet, tornando necessária medidas governamentais para resolver o impasse.
O reconfiguramento da seta comunicativa da rede mundial de computadores, fez com que os seus utilizadores não sejam somente receptores, mas também potenciais emissores de informações. Tal situação dá impulso à manifestações odiosas por meio do anonimato, já que as notícias criadas geralmente abordam a vida de alguma pessoa e são rapidamente compartilhadas, sejam verídicas ou não, como no caso que ocorreu em 2014, no qual uma dona de casa foi espancada até a morte por moradores, após a divulgação de boatos na internet. Além disso, as farsas também são utilizadas por sites para enganar os leitores com o fito de aumentar a quantidade de usuários online, fazendo com que cresçam suas visualizações e, consequentemente, seus lucros.
Ademais, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas da tenacidade da problema. No país em que os processos são demorados, o projeto de lei 6.812/2017 que criminaliza a divulgação de notícias falsas na internet, tramita na Câmara dos Deputados. Contudo, é mister afirmar que a regra desamparada não muda a realidade, visto que se aprovada será essencial uma intensa execução e fiscalização da mesma.
Conforme diz Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele. Desse modo, a aplicação de força suficiente contra o percurso das notícias falsas no Brasil é imprescindível e é um caminho para combatê-lo. Destarte, o Poder Legislativo deve aprovar a lei supracitada, e cabe a Polícia Civil promover a sua aplicação de forma rigorosa, investigando e punindo efetivamente os infratores. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério das Comunicações deve promover propagandas midiáticas de cunho educativo, auxiliando a população no reconhecimento dessas farsas, de modo a reduzir o compartilhamento dessas no âmbito social. Outrossim, as empresas de redes sociais, em parceria com a Polícia Civil, devem criar ouvidorias online para que os usuários denunciem as fake news, de modo a serem investigadas e removidas da rede. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.