Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 30/10/2018

Parafraseando Confúcio, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”, os problemas relacionados a disseminação das “fake news” não são contemporâneos. Durante a Era Vargas, entre os anos de 1930 e 1945, foi divulgado o Plano Cohen, um documento falso no qual dizia que os comunistas tramavam a tomada do poder. A difusão de tal informação serviu de pretexto para Vargas assumir o poder, implantando a ditadura do Estado Novo. Hodiernamente, mesmo após avanços tecnológicos, o quadro de iniquidade persevera, através da disseminação de “fake news”, as chamadas notícias falsas, nas redes sociais. Tal fator pode causar danos morais à população, além de auxiliar a fácil disseminação das notícias em redes sociais, colaborando inclusive para mudança nos rumos eleitorais.

Em primeiro plano, evidencia-se que a má utilização das redes sociais vem gerando cada vez mais a divulgação de informações equivocadas. De acordo com dados divulgados pela USP (Universidade de São Paulo), atualmente 12 milhões de pessoas divulgam notícias falsas, principalmente sobre a política no Brasil. Existem sites onde o cunho principal é o de “desmascarar” tais notícias, porém, a população não possui o costume de averiguar os dados da informação antes de compartilha-lá, criando desta forma uma rede cada vez maior, que poderia ser impedida apenas com uma rápida consulta acerca do tema relacionado. Desta forma, podemos perceber que a população não possui uma correta educação digital, capaz de preparar os cidadãos na era atual da informação.

Vale ressaltar, outrossim, que a sobreposição dos direitos pessoais sobre o coletivo também é um problema a ser enfrentado. Durante as eleições presidenciais ocorridas no ano de 2018, no Brasil, as notícias falsas atingiram um novo rumo na política. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) liberou o pagamento para impulsionar os anúncios eleitorais, além disso, circularam vídeos dos mais variados tipos pelas mídias de massa e as notícias falsas foram amplamente divulgadas, sendo capazes de mudar o rumo das eleições, a exemplo do ocorrido nos Estados Unidos, onde a desinformação foi fator crucial para  a eleição de Donald Trump.

Diante do exposto, faz-se necessário que sejam tomadas atitudes com o intuito de resolver o problema. Cabe as redes sociais, o dever de criar mecanismos de busca capazes de detectar informações errôneas, e ao Poder Legislativo, juntamente ao Ministério da Segurança Pública, o dever de elaborar leis que possuam maior rigor na denúncia e punição àqueles que propagarem tais informações, dessa forma, atenuando esse impasse, além de acabar gradativamente com a sua divulgação.