Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 26/08/2018

Dominação digital

Em seus estudos, Pierre Bourdieu afirma que, além do embate físico, a violação dos direitos humanos se expressa, sobretudo, na perpetuação de mentiras e preconceitos que atentem conta a dignidade de uma pessoa ou grupo social. Essa prerrogativa caracteriza uma problemática atual, marcada pela disseminação de informações falsas, as chamadas “Fake News”. Nesse contexto, a falta de discernimento social, aliada a grande evolução dos veículos de comunicação, favorecem o desenvolvimento do problema e dificultam a sua resolução.

A disseminação de notícias falsas não é uma invenção atual, tampouco recente. Visto que, durante os governos ditatórias nazi-facistas eram propagadas mentiras para enaltecer os ditadores e fortalecer o seu domínio. Dessa forma, transmitiam informações falsas às pessoas até que se adequassem a elas e passassem também a transmiti-las como verdadeiras.

Paralelamente, na atualidade percebe-se uma maior facilidade na aceitação das “Fake news”, o que denota a falta de discernimento e de criticidade social. Isso ocorre, por que na maioria das vezes as pessoas julgam as informações baseando-se em crenças pessoais, sem nem ao menos filtra-las. Assim, para confirmar a veracidade da vasta gama informações disponíveis, algumas medidas são necessárias, como buscar o assunto em outras fontes, checar os autores e seu histórico de trabalho e ainda avaliar a sua utilidade.

Ademais, o desenvolvimento de meios de comunicação cada vez mais amplos propiciou o surgimento de uma “guerra de informação”. Entretanto, grande parte delas são inverdades disseminadas com interesses particulares, como o de degradar da imagem de alguém. A exemplo, pode-se citar o caso da vereadora Marielle Franco, que logo após a sua morte teve sua imagem abalada pela divulgação de mentiras ao seu respeito.

Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de programas de educação digital, através da estruturação de centros comunitários, com aulas ministradas por especialistas em informação digital, com vistas a capacitar a população no acesso seguro e consciente ao grande volume de informação disponível. Paralelamente, cabe ao Governo Federal a criação de campanhas midiáticas, a fim de sensibilizar a população acerca do riscos de se transmitir mentiras na internet, tornando, também, mais rígidas as punições pelas transgressões. Desse modo, será possível transformar a internet numa ferramenta mais segura e confiável.