Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 04/09/2018

No século XVIII, os homens-parágrafo, redigiam reportagens falsas e difamatórias e as vendiam, causando confusão em Londres. Não muito diferente, hodiernamente, a disseminação de “fake news” persiste com a facilidade proporcionada pela globalização em compartilhar informações e pela falta de senso crítico por grande parte da população que acredita em tais informações.

É indubitável que a velocidade com que notícias circulam, devido aos avanços o meio técnico-científico, é extremamente rápida na contemporaneidade. Sendo assim, as mídias sociais têm grande responsabilidade por tal fato, uma vez que segundo o IBGE, 116 milhões de pessoas têm acesso à internet no Brasil. Dessa forma, fica cada vez mais clara a facilidade que qualquer notícia tem para alcançar grande parte da população. Destarte, a acelerada irradiação de notícias falsas gera problemas, uma vez que, normalmente, elas possuem caráter difamatório. Essa problemática causa danos psicológicos e morais nas vítimas, seja ela pessoa física seja jurídica.

Outrossim, destaca-se a falta de senso crítico pela população como impulsionador do problema. Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, uma série de notícias falsas sobre a candidata Hillary Clinton alavancaram a campanha de Donald Trump, que saiu vitorioso. O site BuzzFeed News demonstrou, em pesquisa, que as notícias publicadas nas redes sociais no período eleitoral supracitado tinham mais repercussão que as divulgadas em grandes jornais americanos. Isso evidencia a tendência da população em acreditar no que está em fácil alcance sem confirmar a veracidade da notícia. Tal modo de agir é consequência do insuficiente contato das pessoas com disciplinas como filosofia, sociologia e literatura - ciências que desenvolvem senso crítico.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. De acordo com o romancista e poeta castelhano Miguel de Cervantes, é necessário suprimir a causa para cessar o efeito. Logo, é mister, que as mídias sociais como o Facebook, devem melhorar a política de fiscalização de publicações contendo notícias falsas, através de companhamento sistemático de denúncias realizadas pelos próprios usuários relativas  às “fake news” para que tais publicações falsas sejam apagadas e o autor responsável seja notificado, diminuindo assim, a propagação de “hoax”. Como dito por Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo. Logo, o MEC deve, por meio de lei própria, instituir nas escolas o ensino obrigatório de filosofia, sociologia e literatura com pelo menos duas aulas semanais para colaborar na formação de senso crítico logo na fase escolar, para que o tecido social não viva a realidade das sombras, como na alegoria da caverna de Platão.