Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 10/08/2018
Com o advento da Terceira Revolução Industrial, na segunda metade do século XX, o mundo ingressou em uma etapa de profundas evoluções tecnológicas. Essas transformações trouxeram consigo mudanças no arranjo social, desencadeando transformações comportamentais na comunidade. Contudo, observa-se, na contemporaneidade brasileira, a problemática associada à disseminação de notícias falsas, que persiste como um amplo desafio a se enfrentar, seja pela fraca atuação do Poder Público, seja pelo paralogismo como intenso fato social.
Primeiramente, é irrefutável que a questão administrativa e a gestão pública estejam entre os impulsionadores deste fenômeno deplorável. Segundo o ministro da propaganda de Hittler, Joseph Gobells, uma mentira quando repetida mil vezes torna-se verdade. De maneira análoga, percebe-se que a irrisória atuação do Poder Legislativo no combate desse impasse inadmissível representa um brecha para a continuidade do problema, haja vista que a difusão das “fake news” muitas vezes busca fomentar determinada posição política ou difamar e denegrir a imagem de algum famoso, causando danos incalculáveis as vítimas. Ademais, dados do G1 apontam que 64% das pessoas admite não conferir a veracidade das notícias que visualiza, ratificando a magnitude do impasse. Logo, pela fraca intervenção do Estado, esse entrave lastimável persiste inerente à realidade do país.
Outrossim, destaca-se o fato de que interioriza-se, em algumas instâncias, a ideia dos veículos de comunicação como propagadores de verdades absolutas, elevando o compartilhamento de falácias. Para o antropólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de generalidade, coercitividade e exterioridade. Nesse viés, nota-se que o paralogismo adéqua-se à teoria do sociólogo, porquanto se um indivíduo está inserido em um ambiente onde há pouco questionamento a respeito da conjuntura vivenciada, tende a adotar essa postura em virtude da vivência em grupo. Destarte, a difusão de não verdades, transmitida de pessoa para pessoa, prevalece na nação.
Portanto, para que as consequências negativas da Revolução Técnico-Científica-Informacional não permaneçam arraigados à realidade do Brasil, medidas devem ser tomadas. A fim de atenuar o problema, o Governo Federal, em consonância com o MEC, deve criar um plano instrutivo a ser aplicado nas escolas, por meio de palestras e rodas de conversa, com a presença de psicólogos e sociólogos, abertas ao público, com o fito de amadurecer a mentalidade dos alunos sobre a importância de averiguar a autenticidade dos fatos publicados na web. Dessa forma, esse fato social aludido por Durkheim será gradativamente suplantado na pátria brasileira.