Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 14/08/2018
A histórica Rua do Ouvidor, imortalizada por obras como “Memórias póstumas de Brás Cuba”, de Machado de Assis, representou, durante grande período de tempo, um vivo trânsito de rumores e notícias do Rio de Janeiro. Na atualidade, com o advento das novas tecnologias, esse fluxo de informações ganha novas proporções, com uma velocidade e alcance inimagináveis, e, concomitantemente a isso, o surgimento das “Fake News”, notícias falsas que são facilmente disseminadas e geram perigo em vários âmbitos, como o social e o político.
Considerada pelo filósofo Eugênio Bucci como “O quarto poder”, a mídia tem cada vez mais alcance. Com o fluxo de dados que aumenta a cada dia, divulgar e compartilhar notícias nunca foi tão fácil. Assim, essa praticidade proporciona algo recorrente: a rápida pulverização de informações falsas que, de modo geral, são sensacionalistas, pois tem como intento atrair mais cliques possível. Exemplo nítido dos perigos das chamadas fake news são os rotineiros casos em que, por meio das redes sociais, são publicadas fotos de pessoas comuns com a legenda de que seriam estupradores, criminosos e afins e, posteriormente, essas pessoas são encontradas espancadas, mutiladas e até mortas.
Ademais, parafraseando Protágoras, filósofo grego, o homem é a medida de todas as coisas. Utilizando-se desse conceito, é possível fazer um paralelo da era das informações com o ceticismo sofista do filósofo: em tempos de grande fluxo de dados, a verdade vira uma construção humana. Isto é, com tantos meios rápidos e acessíveis de obter informações e um grande despreparo da população em recebê-las, a veracidade das notícias são afetadas por interesses pessoais, políticos e econômicos como também viram instrumento da Indústria Cultural, que, segundo o sociólogo Adorno, edifica uma consciência coletiva, desconstruindo o pensamento crítico individual, o que torna a população suscetível a manobras de massa.
Urge, portanto, reconhecer os perigos gerados pelas fake news e a necessidade de combatê-las. Para tal, faz-se necessária a ação das Escolas, sob instrução do MEC, em incitar a faceta lógica do alunato, com abordagens mais profundas de filosofia e sociologia em palestras e debates, com o fito de formar indivíduos críticos que verifiquem as notícias e suas fontes e não veiculem dados incertos. É também imprescindível o papel do Poder Legislativo na criação de leis que obriguem as companhias virtuais, como o facebook e os jornais online, a filtrar os informes de sua plataforma, com a checagem do conteúdo publicado, em especial os mais visualizados, para que estas não colaborem na disseminação de fake news e divulguem apenas o factual.