Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/09/2018
Velocidade. Sem dúvida essa palavra é a que melhor define nossa era. E as notícias nunca se propagaram tão rápido, chegam antes de nós, do papel, da caneta e do senso crítico, se movem pelas ondas eletromagnéticas, em velocidade maior que a do som. Basta um clic. Evidentemente, o acesso rápido às informações otimiza o acesso dos cidadãos aos fatos relevantes, entretanto com a mesma velocidade com que as notícias chegam, as mentiras também chegam, trazendo consigo o perigo. Primeiro, elas podem ser utilizadas como ferramenta de manipulação e alienação, e assim, tornam-se um risco preocupante para a democracia.
Em primeiro plano, faz-se necessário ponderar sobre a mutabilidade do ser humano. Uma vez que, sob a égide do empirismo, tem-se o conceito de tábula rasa, corroborado por Rosseau, John Lock e até mesmo neurocientistas contemporâneos como Antônio Damásio, que fundamenta bem o tema em seu livro “O Erro de Descartes”. Esse conceito persiste no nascimento do indivíduo como uma “folha em branco”, em que toda sua construção psíquica e social será derivada do meio social e natural, desvelando a influência dos fatores externos na percepção de mundo do ser. Isso pode ser explicitado com casos simples como o acolhimento de uma religião devido o ensinamento dos pais por parte de um indivíduo. Expondo tal suscetibilidade humana, torna-se eloquente como as notícias falsas podem alienar e manipular uma sociedade.
Por conseguinte, uma vez que se empenha em manipular e alienar uma parcela da população, coloca-se em riso a democracia. Já que pessoas mal intencionadas podem utilizar dos meios modernos de comunicação para propagarem inverdades que corroborem com seu posicionamento político, filosófico ou até mercadológico. Como exemplo, pode-se fazer lembrar a preocupação que acometeu a população estadunidense acerca de como as notícias falsas e os russos poderiam ter manipulado os resultados da última eleição presidencial em 2016. Quando a nação mais poderosa da Terra se vê em tal crise de confiança, o que podemos dizer dos países em desenvolvimento como o Brasil?
Em vista dos grandes riscos das notícias falsas para com a democracia e para com as liberdades, urge que os cidadãos se atentem às fontes das notícias recebidas e chequem a autenticidade, cabe também ao Ministério de Educação alertar pelos meios de comunicação (TV, internet, rádio) os riscos das notícias falsas e instruir em como identificá-las, assim poderá difundir um senso crítico em toda sociedade, garantir a soberania das verdades e afastar a possibilidade de porem em cheque nossa democracia. Como chave, encontra-se então a educação, a única possível de tornar nossa sociedade mais crítica e menos vulnerável, mesmo que no longo prazo.