Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 18/08/2018
Na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles desenvolveu formas de identificar um argumento falso e validar informações, método conhecido como silogismo, para evitar o alastramento das falácias sofistas. As ideias do filósofo pós-socrático nos permitem refletir, em nossos dias, os cuidados que devemos tomar com as fake news, especialmente nos meios de comunicação online, tendo em vista sua abrangência de propagação. Dessa maneira, torna-se indispensável a discussão acerca dos fatores corroborantes a essa situação para que seja possível compreender as consequências desse problema. Primeiramente, assim como defendia o sociólogo pós-modernista Baudrilland, os meios de comunicação e a mídia influenciam a população a consumir produtos e informações para moldar uma identidade. Assim, os algoritmos computacionais separam e selecionam postagens, sem fiscalização, que interessam determinado perfil na internet, fazendo com que indivíduo fique em uma “bolha social”. Logo, a delimitação de informações diminui o senso crítico científico das pessoas, aumentando a alienação, e torna-se comum expandir notícias falsas, sem verificar fonte e datas de publicações, somente para construir uma identidade.
Nesse contexto, as consequências podem ser pequenas ou grandiosas, indo de casos como o de Carlos Luiz Batista que, em 2016, fora divulgado como criminoso e, mesmo sendo inocente, precisou se esconder, até o de grupos políticos que prejudicam uma figura pública por interesses econômicos. Como exemplo desse último, há o caso das eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2016, no qual o presidente fora eleito sustentado por suas fake News. Em situação análoga ao sofismo, no qual gregos utilizavam métodos de persuasão para convencer o público daquilo que os interessava, as fake news conseguem credibilidade por sua dissuasão informativa. Evidenciando como as notícias falsas podem controlar e manipular grupos a fim de defender interesses particulares, como o lucro ou crédito social. Sendo assim, como defende Hobbes, o homem se torna o lobo do próprio homem.
Portanto, levando em consideração os malefícios das fake news é necessário que medidas sejam articuladas. Cabe aos criadores de mecanismo de pesquisa online desenvolverem algoritmos que analisem e barrem a disseminação de notícias com teor enganoso, a fim de evitar consequências nocivas. Ademais, é necessário que o Governo aprove leis que punam tais atos, além de evidenciar por meio de programas educativos em escolas, juntamente com Órgãos educacionais, a importância do pensamento crítico e os perigos nas esferas sociais, assim, evitando a continuação do atual cenário mundial em que as fake news se alastram.