Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 24/08/2018

O Plano Cohen, feito pelo governo de Vargas, foi um documento falso disseminado na época, no qual dizia que os comunistas estavam planejando a tomada do poder. Essa notícia serviu de pretexto para que Vargas pudesse restaurar o Estado Novo e mudar o rumo da política brasileira. Atualmente, principalmente no Brasil, as fake news intensificaram-se sobretudo nas redes sociais, causando diversos problemas sociais. Diante disso, deve-se analisar os fatores contribuidores de tais práticas para compreender as suas consequências.

Primeiramente, as redes sociais são as principais responsáveis pela manutenção das fake news. Segundo pesquisa do Instituto Reuters para o estudo de jornalismo, as redes sociais são a maior fonte de notícias para os brasileiros e segue crescendo, uma vez que o percentual de pessoas que a usam como fonte foi de 47% em 2013 para 72% em 2016. À vista disso, as notícias falsas tendem a serem compartilhadas e propagadas de uma forma mais fácil e rápida. Por consequência disso, forma-se uma sociedade alienada por restringir seu campo informacional, gerando uma massa mais manipulável e passível a promessas utópicas, como é o caso das propagandas que veiculam a perda de peso em poucos dias, podendo causar danos à saúde do indivíduo.

Em uma segunda análise, nota-se, ainda, que o desconhecimento da existência de leis e métodos que podem efetivamente punir os infratores, mesmo que não seja o criador da notícia, também é um dos fatores predominantes. A servidora Monica Rodrigues de Faria, por exemplo, foi processado por compartilhar uma mensagem falsa sobre um veterinário da cidade de Piracicaba, em São Paulo, a qual lhe rendeu uma condenação de 10 mil reais por danos morais. Dessa maneira, a falta de conhecimento das leis pode ser prejudicial não só para os autores e vítimas das notícias, como também para quem dissemina.

Torna-se evidente, portanto, que a questão das fake news deve ser combatida. Em razão disso, a Polícia Federal (PF), com o apoio das redes sociais, deve criar uma ferramenta de denúncias, através das publicações, objetivando retirar as notícias falsas e punir os autores, para que, desse modo, diminua as criações e, consequentemente, as propagações de tais informações. Outrossim, a mídia, em conjunto com a PF, deve, a fim da conscientização, alertar a sociedade, por meio de mensagens gravadas e divulgadas pelos meios comunicativos, para, assim, disseminar o conhecimento de crimes digitais e, como resultado, impedir que ocorra outros casos como o da Monica. Dessa forma, o país não será mais enganado como foi com o Vargas.