Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 19/08/2018
No “Mito da Caverna”, Platão descreve metaforicamente a dificuldade de desmistificar uma mentira quando os envolvidos acreditam estar diante da verdade. Analogamente, vê-se no Brasil um impasse perante o cenário de disseminação de notícias falsas que apresentam uma alarmante aceitação social. Nesse âmbito, faz-se necessário questionar como a sociedade individualista gera julgamentos equivocados no convívio coletivo.
Segundo Zygmunt Bauman, a tendência da modernidade é a queda de atitudes éticas pela fluidez de valores, a fim de atender interesses pessoais. Ante tal pensamento, torna-se pontual ressaltar o ato de alguns sites e perfis espalharem “fake news” pela procura por audiência e necessidade de autoafirmação. Ou seja, a ideia de divulgar farsas advém de um desejo consciente de causar prejuízo ao objeto do conteúdo. Ademais, a escassa busca por fontes confiáveis por parte do corpo social ao estar de posse de uma nova informação corrobora a problemática.
Outra questão relevante, nessa discussão, é a força de impacto dessas inveracidades. Em 2018, após o fim da greve dos caminhoneiros, um boato de retomada da paralisação fez com que milhares de cidadãos estocassem comidas em casa, ocasionando uma crise de abastecimento nos supermercados. Tal fato não declarou respaldo de genuinidade e foi impulsionado pela facilidade de compartilhamento nas mídias sociais, como Whatsapp e Facebook, com intuito de deslegitimar os manifestantes.
Urge, portanto, que a temática seja combatida para a construção de um organismo social mais justo. Logo, cabe ao Senado, sancionar um projeto de lei, por meio de um plebiscito online, que crie um órgão de controle para vigiar e punir páginas e indivíduos que publicarem notícias falsas, com intenção de diminuir a proliferação delas. Outrossim, compete ao Ministério da Educação, promover a conscientização da população, através de campanhas nas redes sociais, com objetivo de fomentar a investigação da autenticidade das informações. Com essas iniciativas, espera-se fortalecer o uso da internet de forma democrática e segura.