Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 25/08/2018

Notícia boa é a verdadeira

Em 1964, os militares criaram o boato que haveria um golpe comunista no Brasil e, usando isso como preceito, eles tomaram o governo e iniciaram a Ditadura Militar no país.  Essa situação mostra que as Fake News, isto é, notícias falsas tidas como verdadeiras, sempre existiram. Contudo, na era da informação, a internet não só permite que qualquer um produza uma notícia mentirosa, como a difusão da mesma é muito mais acelerada. O perigo desse fenômeno está quando ele saí do virtual e acaba tendo consequências nocivas no mundo real, como alterações em resultados eleitorais e perseguições. Logo, medidas que alterem esse contexto devem ser adotadas.

Em primeiro plano, deve-se reconhecer a violência que são as Fake News. Segundo o sociólogo Bourdieu, violência simbólica é toda forma de coerção não física, mas que ataca psicologicamente e moralmente alguém. Analogamente, percebe-se que as notícias falsas ao difamarem alguém e, consequentemente, causar a sua perseguição, tornam-se uma forma de violência simbólica. Isso ocorreu quando a filosofa Judith Butler foi atacada no Brasil, por pessoas que haviam lido suas ideias distorcidas em formato de notícias falsas virtuais. Para evitar tal situação, fica evidente a necessidade de uma educação digital para o grande público brasileiro.

Além disso, a permanência da população no estado de menoridade kantiana faz parte da problemática. De acordo com Kant, menoridade intelectual é a incapacidade do homem de pensar por si só, dependendo assim, da direção alheia. Seguindo essa linha, nota-se que as Fake News são difundidas por pessoas que estão no estado de menoridade intelectual, uma vez que elas não buscam se a informação é verdadeira ou não antes de espalha-la, apenas acreditando no criador da notícia. Em vista de tal situação, fica claro a que o povo deve se libertar do comodismo e procurar os dados verdadeiros antes de postar algo e, assim sair da menoridade intelectual.

Portanto, fica evidente a importância de combater as Fake News, já que elas têm efeitos maléficos no mundo real. Sendo assim, o Estado, em conjunto com os órgão de imprensa, deve criar um projeto denominado “Notícia boa é a verdadeira”. Nele, cartazes onlines e comerciais televisivos explicarão para o grande público como detectar uma notícia falsa e incentivarão a busca pela informação verídica antes de sua difusão, a fim de que menos informações falsas sejam espalhadas e que as pessoas entendam a sua responsabilidade por aquilo que postam virtualmente. Com essa medida, boatos como o criado pelos militares em 1964 serão evitados na era da informação.