Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 27/08/2018

Na obra Os Lusíadas, o poeta Luís Vaz de Camões, retrata as viagens marítimas, vivenciadas pelos portugueses, no século XV. A epopeia relata o mar de modo inóspito e repleto de monstros marinhos, moldando, de modo negativo, a visão dos lusitanos em relação ao oceano. Sob esse viés, as notícias falsas, ou fake news, atuam de modo semelhante no contexto atual, visto que propagam inverdades acerca de diversos assuntos, seja economia, seja política, o que influência, diretamente, àqueles que as recebem.

A princípio, vale ressaltar que, com o advento da internet, o mundo virtual se tornou um importante meio informacional. As plataformas digitais, por proporcionarem ampla e rápida disseminação de notícias, são utilizadas no compartilhamento das fake news. A elaboração desses artigos é feita de forma que convença o leitor de sua veracidade, induzindo-o a aceitar e propagar os princípios ali expostos, criando uma corrente de difusão de inverdades. Diante disso, o modo epidêmico como tais informações são repassadas confirma a ideia do Ministro da Propaganda Nazista, Joseph Goebbels, de que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.

Em consequência disso, diversos problemas têm como origem notícias falsas. De acordo com o site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, uma mulher foi espancada até a morte no litoral paulista, em 2014, após ter seu nome vinculado à práticas de magia negra. Além disso, as invericidades, por serem largamente difundidas e persuasivas, podem gerarem pânico em seus receptores, afetando-os penosamente, o que é punível pelo artigo 41 da Lei das Contravenções Penais.

Logo, é necessário que intervenções federais, juntamente com o auxílio de escolas estaduais e municipais, atuem no combate à perpetuação das fake news. No que tange à esfera federal, é imprescindível que o representante máximo do poder executivo, o Presidente República, sancione a lei que tipifique criminalmente quem divulga ou compartilha inverdades na web, visando coibir tais atos. Já no âmbito municipal e estadual, é essencial que as escolas trabalhem em consonância com o Ministério da Educação (MEC) no desenvolvimento de programas de educação digital, capacitando a população para o ambiente virtual, possibilitado, portanto, o uso racional e democrático da internet.