Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 22/08/2018

Na Roma Antiga, o imperador Marco Antônio ouve falar que sua esposa Cleópatra haveria falecido; apesar de essa informação não ser verdadeira, o soberano comete suicídio. Esse é um exemplo clássico das “fake news”: notícias inverídicas que, no entanto, aparentam ser verdadeiras. Já no mundo atual, esse tipo de informação encontrou espaço para veiculação nas redes sociais e na internet, influenciando a vida política. Assim, qual seria o valor da verdade em uma atualidade extremamente relativista?

O século XXI caracteriza-se como era da informação, período determinado por uma economia baeada na tecnologia informacional. Nesse contexto, Peter Brucker identifica a importância do “trabalhador do conhecimento”, aquele que, aliando trabalho manual e teórico, constitui 75% da riqueza mundial. Dessa maneira, a educação mostra-se fundamental, mas as “fake news” podem prejudicar esse processo. Portanto, é preciso haver discernimento durante a busca por informação, principalmente na internet.

Ademais, nos séculos XX e XXI, houve a propagação do relativismo, conceito de que visões são relativas a diferenças em percepção. Assim, verdades objetivas teriam menos influência numa democracia que os apelos à emoção - segundo o filósofo Nietzsche, por exemplo, não haveria fatos, apenas versões. Essa relativização é amplamente explorada em redes sociais, em que todos têm a possibilidade de publicar suas opiniões, podendo distorcer a realidade objetiva e influenciar visões de mundo. Contudo, esse tipo de cultura da pós-verdade é extremamente prejudicial para o jogo democrático, pois induz a opinião pública a enganos e à desinformação.

Dessa forma, a obtenção de referências reais mostra-se necessária na era das informações. Para assegurar que isso aconteça, a “educação digital” deve fazer parte da escolarização, ou seja, o bom uso das ferramentas digitais. Um passo nessa direção consiste em verificar a vericidade de possíveis “fake news”: investigar fontes, pesquisar sobre o assunto em veículos variados e utilizar classificadores automáticos de notícias, como o “Fato ou Fake.” Assim, a educação digital deve ser discutidas no ensino básico e superior por meio de iniciativa do Ministério da Educação, certificando-se de que estudantes tenham acesso à informação confiável. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve buscar a regularização de redes sociais, informando os usuários a respeito da questão com guias e infográficos.