Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 23/08/2018

Na Grécia Antiga, os sofistas, mestres da retórica, buscavam persuadir os interlocutores acerca de um fato não necessariamente verdadeiro. Isso demonstra que a divulgação de notícias falsas, visando à legitimação de determinadas ideologias, não se configura em um fenômeno recente. Nesse sentido, a internet potencializou o alcance de tais informações e, consequentemente, seus efeitos deletérios. Com isso, surge a problemática das notícias falsas que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela educação digital deficitária, seja pela ineficácia da fiscalização.

É importante analisar, antes de tudo, a inexistência de uma cultura de educação digital como uma das causas do problema. Segundo o filósofo Francis Bacon, o comportamento do homem é contagioso. Dessa forma, ao observar uma postagem apelativa compartilhada nas redes sociais, as pessoas tendem a reproduzi-la, sem sequer analisar a fonte das informações. Prova disso é que, segundo pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as “fake news” circulam com uma velocidade seis vezes maior que as notícias verdadeiras. Assim, perpetua-se esse comportamento no ambiente digital, enraizando a problemática no país devido à ausência de cidadãos críticos.

Ademais, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, a “indústria de cliques”, que lucra ao disseminar notícias falsas, é favorecida pela ineficiência de fiscalização acerca da veracidade das notícias. Esse quadro afeta negativamente a construção da opinião pública, fere a credibilidade da mídia e prejudica o acesso à informação, impedindo o pleno exercício da cidadania, o que comprova que a sociedade avançou tecnologicamente, mas não eticamente.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que a internet não seja um canal de difusão de inverdades. A fim de atenuar o problema, a escola deve promover a educação digital por meio de aulas de informática sobre segurança e comportamento na internet, visando à formação de indivíduos capazes de discernir fontes confiáveis de notícias deliberadamente mentirosas. Além disso, cabe ao Estado, por meio do Poder Judiciário, fazer cumprir medidas legais que punam adequadamente aqueles que, por meio da divulgação de inverdades, prejudiquem indivíduos e instituições. A mídia, em parceria com as redes sociais, deve realizar campanhas socioeducativas, a fim de alertar a população quanto aos riscos de divulgar informações não verídicas e, com isso, reduzir a sua disseminação. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, regido pela liberdade de expressão e uso democrático da internet.