Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 23/08/2018

Personagens que criavam mentiras e as espalhavam, muitas das vezes das janelas de suas casas, perderam-se no tempo em obras literárias como as de Jorge Amado e Dias Gomes. No atual contexto social, em plena era tecnológica, os perigos são chamados de “Fake News” e os disseminadores são aqueles nas redes sociais.

Indubitavelmente, o século XXI está marcado pela inserção da população mundial à era tecnológica. Do local mais remoto, aos cidadãos mais humildes, a tecnologia da informática se faz presente. É inegável que houve melhorias na qualidade de vida. Contudo, existem aspectos negativos que acabam por desabonar as maravilhas da tecnologia. Desses, as “Fake News” são as mais relevantes. Isso porque espalhar mentiras, com a velocidade e amplificação, gera danos significativos.

Conforme a Constituição Federal brasileira, há garantia de liberdade de expressão às pessoas, vedado o anonimato. O direito assegurado, à época, mais frequentemente relacionado ao jornalismo, hoje, tem um dimensionamento maior. Há muitos blogueiros, influenciadores digitais, consumidores compulsivos de aplicativos sociais. O historiador brasileiro, Leandro Karnal, afirma que a sociedade brasileira mudou e que os valores transformaram-se. Além disso, essa sociedade não está adequada à nova era. Espalhar mentiras em redes sociais não é fofoca. É mais grave, apesar de muitos não terem essa ciência. O que respalda a pessoa atingida ? Qual a pena para o criador e os disseminadores?

As respostas às perguntas parecem distantes para uma sociedade que não se preparou à velocidade da informática. Alguns legisladores apostam exclusivamente na criação de novas leis que regulamentem o assunto. Todavia, a sociedade precisa rever valores éticos e morais em ações simples e cotidianas como enviar mensagens em grupos familiares. Esse aviso, se mentiroso, causará danos sociais, econômicos, políticos. Não será somente um indivíduo ou um Estado atingido, o mundo poderá padecer. Um dos casos mais recentes e graves foi a divulgação de supostas “Fake News” em plena disputa presidencial americana. Estudiosos confirmaram que elas foram decisivas no pleito.

Para amenizar os efeitos das mentiras tecnológicas, o Estado precisa estar preparado. Há de se investir em moderna legislação que aborde o tema. Os aparelhos do Estado precisam estar preparados para identificação das notícias, dos noticiadores e para bloqueio das mesmas. O país necessita de planos de contingenciamento aos danos gerados pela tecnologia. Além disso, há de haver investimentos em educação tecnológica, não se esquecendo do ensino da ética e moral. Por fim, a sociedade precisa conscientizar-se dos prejuízos pelas " Fake News" . Averiguar a veridicidade em fontes confiáveis e avaliar a necessidade de repassá-las, é primordial à sociedade moderna.