Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 26/08/2018

Durante o século XV, o alemão Johannes Gutenberg criou a impressa, um mecanismo que representou uma revolução na divulgação de jornais e livros. Seis séculos depois, com o advento da internet e a popularização das redes sociais o acesso à informações ficou mais fácil e rápido do que nunca. Contudo, juntamente com o progresso na disseminação de notícias, a veracidade de muitas passou a ser duvidosa uma vez que um grande contingente de publicações falsas tornou-se comum no dia a dia dos brasileiros. Dessa maneira, faz-se necessário debater sobre tal assunto.

Em primeira análise, a falta de investigar a respeito de uma notícia antes de divulgá-la é um fator preponderante para a disseminação das “fake news”. Comumente os usuários das redes sociais como Facebook, Instagram e Whatsapp compartilham informações sem atestar sua veracidade. Dessa forma, torna-se um ciclo vicioso alimentado pela negligência humana à medida que notícias falsas são lidas e publicadas. A exemplo disso, segundo o jornal “El País”, durante o julgamento do ex-presidente Lula a segunda matéria mais compartilhada foi de uma página na internet denominada Jovens Cristãos, a qual não possui nenhum vínculo jornalístico. Nesse sentido, nota-se o quanto o descaso ao compartilhar uma informação pode tomar desmedidas dimensões.

Outrossim, a falta de uma legislação específica para publicação de notícias falsas é um problema que merece atenção. Hodiernamente no Brasil, não existe nenhuma lei efetiva que puna ativamente aqueles que divulgam e compartilham “fake news”. Nesse contexto, aqueles que criam e disseminam informações incorretas a respeito de outra pessoa podem responder a um processo de injúria, calúnia e difamação. Porém, isso só ocorre caso a pessoa afetada procure a justiça brasileira, fato que muitas vezes não acontece, uma vez que muitos não tem o conhecimento de tal direito ou acabam por não tomar por conhecimento a notícia falsa.

Dado o exposto, faz-se necessário que, a fim de diminuir a propagação das “fake news”, o governo federal, em parceria com os grandes jornais do país, divulgue a importância de se verificar uma notícia antes de compartilhá-la e demonstre à população os riscos que as “fake news” podem trazer. Em complemento, o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, devem distribuir cartilhas informativas, nas instituições de ensino para promover a conscientização dos brasileiros desde novos. Por fim, torna-se importante que o Poder Legislativo elabore leis que punam efetivamente aqueles que criam e disseminam notícias falsas, além de tirar do ar rapidamente tais matérias. Dessa maneira, será possível transformar a realidade do jornalismo brasileiro, tornando-o mais confiável a cada dia.