Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 25/08/2018

No Brasil, a complexa e dilemática questão sobre os perigos das fake news revela um flagelo social de carência moral da população brasileira. Frente a esse dilema, analisa-se que a propagação excessiva de notícias falsas é impulsionada pela falta de educação digital, e, ainda, todas as informações caluniosas compartilhadas nas redes apresentam um interesse pessoal na busca pela difamação, exposição e injúria de algo ou de alguém. Em decorrência disso, ocorre uma desconstrução do caráter ético da sociedade, além de ser uma afronta a dignidade dos indivíduos.

Em uma primeira abordagem, o sistema educacional brasileiro ainda não está apto para oferecer educação digital para os cidadãos, em virtude da falta de investimentos educacionais para adaptar o ensino. Relacionado a isso, o aumento nos compartilhamentos de fake news está associado principalmente à falta de capacidade do indivíduo de interpretar uma notícia como sendo falsa ou verdadeira, mesmo que alguns sinais sejam bastante evidentes como títulos chamativos e fontes desconhecidas. Em virtude disso, uma informação falsa têm 70% de chances de ser mais compartilhada do que uma verdadeira, concordante com os dados alarmantes divulgados pelo portal G1. Aliado a isso, essa grave falha social é uma desrespeitabilidade moral e uma afronta com a democracia substantiva.

Ainda nessa linha reflexiva, nenhuma fake news é criada aleatoriamente, são feitas através de interesses pessoais com o objetivo de expor, mentir, caluniar e prejudicar especificamente um alvo. Relacionado a isso, o homem na sociedade contemporânea está disposto a realizar ações maléficas para enaltecer seu próprio ego e garantir benefícios pessoais, em consonância com os pensamentos do brilhante sociólogo Zygmunt Bauman. Ademais, é válido ressaltar que esse tipo de conduta é impulsionada pela falta de ética do cidadão, além de ser um desleixo com a importância do bem coletivo, desqualificando a construção de uma sociedade baseada na equidade e no respeito.

Portanto, para atenuar os problemas relacionados a propagação de fake news, é plausível a luta política e social para a criação de uma lei, com o intuito de criminalizar exclusivamente pessoas responsáveis pela disseminação de notícias falsas nas redes, caso o alvo tenha sido prejudicado e ofendido. Além disso, é urgente a destinação de novos investimentos das secretarias municipais de educação para implementação de projetos, debates, seminários, e palestras sobre como identificar e denunciar uma informação caluniosa, e, ainda, refletir sobre os perigos causados pelo compartilhamento indevido de publicações nas redes. A realização dessas ações é fundamental para amenizar um dos problemas mais recorrentes com o aumento da popularidade da internet no século XXI, com o objetivo de construir uma sociedade baseada na ética e na moral.