Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 25/08/2018

“O amor é a mais veloz das pragas indignas”, escreveu Virgílio, no livro IV da Eneida. Tal princípio, é ainda intensificado em decorrência do advento da internet, em 1990, que marcou um novo período na história humana e foi caracterizada pelos grandes volumes de dados em circulação. Nesse contexto, eclode o termo “fake news” para demonstrar as novas práticas contemporâneas de deliberações de informações falsas no espaço digital.

Em primeira análise, cabe pontuar que são quase inexistentes fiscalizações na rede informática, a fim de conter a propagação de “fake news”. Isso se deve ao fato de que existem muitos interesses políticos, econômicos e sociais com essa prática, em que grandes empresas financiam serviços de divulgações falsas para conseguir apoios políticos em eleições, aumentar vendas de produtos e controlar a cultura que permeia em uma dada sociedade. Com isso, muitos interesses e supostos “benefícios”, é escasso os que se empenham em combater esse ato. Uma prova da magnitude das consequências de “fake news” está na investigação da Polícia Federal Americana, que comprovou a interferência dos russos com empresas de “fake news” nas eleições americanas. Além do que, a grande quantidade de informações que diariamente trafegam pela internet intensifica essa conjuntura.

Ademais, convém frisar que o Estado-nação não fornecem meios informativos que instruem à população a se prevenirem contra esses dados falsos na “web”. Em razão disso, as pessoas acabam difundindo com proporções exponenciais as informações falsas. Uma prova da importância da comunicação de massa para as tomas de decisões dos cidadãos está na frase de Allen Ginsberg, escritor norte-americano, que diz: “Quem quer que controle a mídia, controla a cultura”. Além do que, a desinformação provoca a ignorância e, conforme Símon Bolívar, ex-político venezuelano, um povo ignorante é o instrumento cego da sua própria destruição.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a problemática. É imprescindível que a Polícia Federal, em seu setor científico, realize pesquisas científicas na área de computação, com o intuito de criar softwares de análise de dados informacionais para a verificação de autenticidade e, assim, forneça tais ferramentos aos órgãos de segurança pública, para que, assim, diminua as forças de grandes empresas em difundir “fake news” e que a internet brasileira seja um ambiente de verdades e não mentiras. Além disso, é essencial que o Ministério da Educação crie propagandas, na TV aberta, sobre “passo-a-passo para checar a autenticidade da informação”, com a finalidade de conscientizar a população brasileira a não deliberar notícias falsas na internet e, em função disso, não seja uma sociedade ignorante e fundamentada em ilusões.