Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 26/08/2018
Passível de comparação com a perda de monopólio da Igreja Católica em relação à imprensa escrita, que antecedeu as Reformas Religiosas no período pôs Idade Média, o estabelecimento da internet figura entre os acontecimentos mais importantes da história da humanidade. Através das redes online, a criação, a distribuição e o uso da informação podem ser realizados por qualquer usuário, afim de manipular e/ou integrar a opinião pública devido à velocidade na qual os conteúdos são difundidos nesse emaranhado virtual; estabelecendo no globo uma importantíssima ferramenta de participação política e cultural. Entretanto, em prol da garantia de ideologias e crenças particulares, usuários mal intencionados têm desvalorizado fatos e publicado Fake News na internet, comprometendo a democracia e ferindo o Estado de Direito dos cidadãos.
As notícias falsas, contudo, não são oriundas do entrelaçado da “web”. No século passado, com o intuito de justificar as profundas barbáries realizadas por governos autoritários, a grande mídia (televisão e rádios) já difundia Fake News em detrimento do bem estar das massas populacionais. Atualmente, esse mau costume foi aderido pela sociedade, mormente em contextos de Guerra Cultural - termo urgiu em 1980-1990 com os movimentos de Contracultura estado-unidenses, como por exemplo o movimento “hippie” -, como este vivenciado na era da informação no Brasil, onde questões de cunho moral e religioso permeiam o centro do debate político. Desta forma, a desvalorização de fatos que estão ocorrendo na internet é um perigo à soberania da Democracia, pois é herança de um período desprovido de liberdade de expressão, além de ter nascido do solo da ignorância e da intolerância, o qual é de todo nocivo à qualquer Direito Humano.
Ainda, à falta de escrúpulos proporcionada pela facilidade com que os conteúdos se perpetuam nas redes virtuais infla os crimes de injúria social, pois difamam drasticamente as pessoas; principalmente figuras públicas. Pôde-se perceber tal calamidade nas corridas eleitorais do Brasil em 2018, onde a então candidata à vice-presidência da República Sônia Guajajara foi vítima de calúnias que diziam que seu nome (social) indígena era falso. Ou seja, á título de oposição, sem argumentos coerentes, fundamentados em fatos reais, pessoas extravasam ódio em notícias falsas e preconceituosas.
Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve estimular “startups” especializadas na “caça” à computadores que disseminam notícias falsas por meio de incentivos fiscais e investimentos diretos nessas empresas tecnológicas, além de contratar profissionais capacitados na área para servirem publicamente o Estado atuando junto com com as mesmas. Destarte, a garantia da plena Democracia será impulsionada e o Estado de Direito estará assegurado na internet e fora dela.