Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 28/08/2018

Em 1937, o governo brasileiro revelou o Plano Cohen: documento no qual continha supostos planos para tomada de poder pelos comunistas. Entretanto, descobriu-se que a documentação era falsa, e elaborada no intuito de justificar a instauração da Ditadura do Estado Novo. É perceptível, com isso, a existência, no passado do país, de notícias caluniosas, as quais ainda são presentes. Tais conteúdos, entretanto, repercutem mais rapidamente, devido à internet, fato o qual intensifica a possibilidade de haver sérias consequências na vida de indivíduos. O anonimato dado pelas redes sociais e a falta de verificação de informações são palavras de ordem para compreender os perigos gerados pelas “Fake News”.

À priori, a criação de “Fake News” pode ser justificada pela sensação de impunidade causada pela internet. Notícias são inventadas com algum propósito, como causar instabilidade no país, denegrir alguma pessoa. Esse último ponto foi o caso de Hillary Clinton, a qual teve a campanha eleitoral para Presidente dos Estados Unidos abalada, após ter o nome envolvido em calúnias espalhadas pela internet. Tais mentiras podem ser justificadas pelo anonimato que o mundo virtual é capaz de conceder. Desse modo, o cidadão sente-se protegido pela tela do computador. Entretanto, aquele pode responder por responsabilidade civil, umas vez que as “fake News” se enquadram em crimes de injúria, calúnia e difamação.

Ademais, a falta de senso crítico contribui para propagação de conteúdos falsos. Diversas vezes, esses são impactantes, chamativos e prendem a atenção do leitor, o qual, na maioria das vezes, não verifica a autenticidade em outras fontes. Isso faz com que sejam veiculados de forma mais intensa, como pode ser comprovado pela pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na qual informa que as “fake News” são espalhadas 70% mais rápido que notícias verdadeiras. Dessa forma, é notório que aquelas alcançam um público grande, o qual apenas acompanha o “efeito manada” e continua reproduzindo informações infiéis.

Portanto, para que a repercussão de “Fake News” seja diminuída, a sensação de impunidade gerada pela internet e o costume de não verificar fontes devem ser combatido. Para isso, é necessário que o Governo aprove projetos de leis, espelhados na Alemanha, os quais obriguem plataformas digitais a excluir conteúdos taxados como falsos. Além disso, escolas, em parceria com o Ministério da Educação, devem realizar palestras ministradas por profissionais do jornalismo, para incentivar os alunos a sempre verificar conteúdos disseminados nas redes sociais.