Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/08/2018
Na Grécia Antiga, os sofistas, mestres da retórica, buscavam persuadir os interlocutores acerca de um fato não necessariamente verdadeiro. Isso demonstra que a divulgação de notícias falsas, visando à legitimação de determinadas ideologias, não se configura em um fenômeno recente. Nesse sentido, a internet potencializou o alcance de tais informações e, consequentemente, seus efeitos deletérios. Nesse contexto, a ausência de educação digital e a sobreposição dos interesses pessoais sobre os coletivos são fatores que colaboram para a disseminação das fake news no país.
Em primeira análise, cabe destacar que a inexistência de uma cultura de educação digital figura como uma das causas do problema. Conforme defendeu Paulo Freire na obra ‘Pedagogia do Oprimido”, a educação é responsável pela formação do indivíduo enquanto crítico e cidadão. As escolas brasileiras, entretanto, não instruem os estudantes acerca dos riscos de compartilhamento de boatos na internet, o que resulta em postagens falsas diárias nas redes sociais. Como reflexo de uma população ignorante frente ao comportamento ético no ambiente digital, de acordo com pesquisa da USP, 12 milhões de pessoas divulgam fake news, o que evidencia a urgência da educação digital dos cidadãos.
Ademais, é notável o individualismo social como um agente que corrobora para a problemática. De acordo com Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Diante disso, a “indústria de cliques” prioriza os interesses pessoais e comerciais em detrimento dos coletivos, ao trabalhar na divulgação de inverdades. Esse quadro afeta negativamente a construção da opinião pública, fere a credibilidade da mídia e prejudica o direito de acesso à informação, estabelecido pela Carta Magna de 1988, impedindo o pleno exercício da cidadania, o que comprova que a sociedade avançou tecnologicamente, mas não eticamente.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que a internet não seja um canal de difusão de inverdades. A fim de atenuar o problema, a escola deve promover a educação digital por meio de aulas de informática sobre segurança e comportamento na internet, visando à formação de indivíduos capazes de discernir fontes confiáveis de notícias deliberadamente mentirosas. Além disso, cabe ao Estado, por meio do Poder Judiciário, punir aqueles que, por meio da divulgação de inverdades, prejudiquem indivíduos e instituições. A mídia, em parceria com as redes sociais, deve realizar campanhas socioeducativas, a fim de alertar a população quanto aos riscos de divulgar informações não verídicas e, com isso, reduzir a sua disseminação. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, regido pela liberdade de expressão e uso democrático da internet.