Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/08/2018
As fake news são notícias falaciosas, ou seja, veiculam mentiras que aparentam ser verdades devido aos artifícios utilizados por seus produtores. Apesar de parecerem inofensivas, elas representam uma grave ameaça ao uso democrático da internet no século XXI, uma vez que seu poder de manipulação é potencializado pela grande velocidade de disseminação das informações. Nesse contexto, cabe analisar o compartilhamento impulsivo presente na sociedade contemporânea, bem como a reação em cadeia gerada por essa problemática.
Em primeiro plano, vale ressaltar a teoria da Modernidade Líquida de Bauman, a qual descreve a pós-modernidade a partir das propriedades de um líquido: superficial, amorfo e volátil. Tais características atribuídas ao comportamento social são reforçadas quando associadas às ferramentas do mundo digital. Isso porque, na internet, a quantidade de informação impera sobre sua qualidade e o compartilhamento é facilitado por apenas um clique. Dessa forma, os indivíduos são estimulados a permanecerem na superficialidade e a não se aprofundarem nas notícias lidas, além de serem incentivados ao ato efêmero de compartilhar fatos impulsivamente.
Diante desse quadro, compete evidenciar que a difusão de notícias falsas ocorre em cadeia e com crescimento exponencial. Por conseguinte, o alcance de tais fatos é extremamente ampliado, tornando, assim, incontável o número de leitores e disseminadores das informações. Embora haja esforços governamentais para controlar a criação e disseminação das fake news – como um projeto de lei, de 2017, para criminalizar o ato –, seus criadores utilizam esse recurso para manipular a opinião das massas, como na política e no consumo de produtos.
É necessário, portanto, estabelecer como meta o combate à disseminação de fake news. Para isso, o Ministério da Educação, junto com as escolas, deve fomentar a democracia no ambiente virtual, por meio da ênfase na educação digital nas aulas de informática, a fim de formar cidadãos habilitados para o uso consciente da tecnologia. Ademais, a mídia aberta deve difundir os mecanismos para a identificação das fake news, por intermédio de sua divulgação em propagandas e outdoors, de modo a provocar a reflexão do corpo social. Como disse Martin Luther King: “toda hora é hora de fazer o que é certo”. Assim, pode-se pensar em uma sociedade democrática em todas as esferas.