Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 30/08/2018

A veiculação de notícias e informações deturpadas é prática comum desde a antiguidade, quando os sofistas já se utilizavam desse artifício na arte do convencimento e manipulação. Porém, na era da internet, essa pratica vem ganhando força e velocidade de propagação, tornando-se um problema de relevância mundial, dados os impactos negativos e até catastróficos gerados pelas “fake news”. Isso pode ser apercebido pelo resultado alarmante do movimento antivacina e dos efeitos ocasionados pela guerra informativa que vêm contaminando as eleições presidenciais no Brasil.

Em primeira análise, cabe pontuar que é indubitável o dano motivado pelas “fake news” na sociedade, e, infelizmente, esse dano trespassa o campo da simples alienação informativa, culminando, inclusive, em questões de saúde pública. Prova disso é o movimento antivacina, que tem crescido de forma assustadora no país, e tem contribuído para a queda dos índices de vacinação, possibilitando o retorno de doenças antigas, há muito controladas. Em 2016, segundo dados do PNI, o Brasil teve a pior taxa de imunização contra a poliomielite, em relação aos 12 anos anteriores. Esse dado demonstra a fragilidade da sociedade frente a esse grave problema, e a urgência em se buscar alternativas para combatê-lo.

Outrossim, a interferência das “fake news” no processo eleitoral brasileiro, aliada ao momento de forte polarização política da população, dificulta a percepção do que é verdade e fabulação e, como resultado, tem-se a disseminação ainda maior de notícias falseadas. March Bloch, historiador francês, já afirmava que as notícias falsas necessitam de pessoas que queiram acreditar nelas, e de forma inconsciente acabam expressando seus preconceitos, ódios e temores, baseando-se em argumentos falsos para corroborar suas opiniões. Nesse cenário, o processo eleitoral é fortemente prejudicado, haja vista a enorme abrangência e rapidez com que as “fake news” circulam atualmente.

Portanto, para combater a disseminação de “fake news”, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, em parceria com os Ministérios da Educação e da Saúde, promovam campanhas educativas nas mídias sociais para incentivar a população a sempre verificar o teor das notícias antes do seu compartilhamento e também com a finalidade de elucidar temas que foram distorcidos, como é o caso da importância da vacinação. Além disso, em parceria com o TSE, deve criar um canal de denúncias para que notícias e informações falsas sejam coibidas tanto no meio digital quanto no impresso.