Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/09/2018
“Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”, esta frase é atribuída à Joseph Goebbels, Ministro de Propaganda Alemã da Segunda Guerra Mundial, de lá para cá muito mudou, e a premissa de Goebbels continua a mesma, a diferença, é que atualmente a mentira não precisa ser contada mil vezes, basta ela cair na rede uma única vez. Na era da informação digital, as notícias falsas representam um perigo, não só para os próprios indivíduos, mas também a sociedade como um todo.
As fake news sempre existiram, antes eram boatos, facilmente destituídos de sua credibilidade, mas elas vem aumentando em um ritmo assombroso, com um alcance e rapidez inéditos devido a popularização da internet, redes sociais e meios de comunicação. Tudo que se precisa para incitar o pânico, revolta, ou simpatia por algo ou alguém, é uma manchete chamativa, e pronto, em minutos estará circulando por todo lugar, Facebook, Twitter, Whatsapp. São poucos os que realmente leem a reportagem, verificam a fonte ou averiguam os fato noticiados, e essa negligência causa danos irreparáveis. Em 2014, Fabiana Maria de Jesus foi espancada até a morte pelos moradores de Guarujá. O motivo?boatos espalhados na rede. Essas são consequências das fake news, que vão desde de atos físicos interferindo na vida pessoal, até a sociedade brasileira, na democracia.
Desde a explosão das fake news ficou muito mais difícil distinguir a verdade da mentira, e de confiar nos veículos de comunicação. A “viralização” delas, tornaram-se desculpas para desacreditar qualquer veículo, fato ou indivíduo com o qual alguém não simpatize, uma desculpa esfarrapada para a disseminação de discursos de ódio e mentiras bem elaboradas, e, principalmente no ano de eleições, isso é um risco que não deveria existir. A manipulação das massas se tornou infinitamente mais fácil com a falta de credibilidade da mídia, e isso irá, e já está, interferir na política brasileira, seja para se benefício ou difamação.
Mas algo de bom saiu da desconfiança gerada pela notícias falsas: abriram os olhos de parte da população para a verificação das notícias, não importando de onde venham, os eventos noticiados sempre devem ser averiguados por múltiplas fontes confiáveis. E o Estado deve se assegurar de incentivar esse hábito, para que os indivíduos possam verdadeiramente exercer a democracia, com todos os fatos inalterados à sua disposição, através de palestras nas escolas e espaços públicos, ministradas por especialistas da área de comunicação, os perigos delas devem ser expostos; nas próprias mídias, maneiras de identificar e combatê-las devem ser compartilhados; e o ato de produção e divulgação, proposital e consciente, de fake news devem ser considerados crimes qualificados, com consequências à altura de seus danos.