Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 03/09/2018

Velocidade. Sem dúvida essa palavra é a que melhor define nossa era. E as notícias nunca se propagaram tão rápido, chegam antes de nós, do papel, da caneta e do senso crítico, se movem pelas ondas eletromagnéticas, em velocidade maior que a do som. Basta um clic. Evidentemente, o acesso rápido às informações otimiza o acesso dos cidadãos aos fatos relevantes, entretanto com a mesma velocidade com que as notícias chegam, as mentiras também chegam, trazendo consigo o perigo. Primeiro, elas podem ser utilizadas como ferramenta de manipulação e alienação. E assim, tornam-se um risco preocupante para a democracia.

Em primeiro plano, faz-se necessário ponderar sobre a mutabilidade do ser humano. Uma vez que, sob a égide do empirismo, tem-se o conceito de tábula rasa, corroborado por Rosseau, John Lock e até mesmo neurocientistas contemporâneos como Antônio Damásio que fundamenta bem o tema em seu livro “O Erro de Descartes”. Esse conceito persiste no nascimento do indivíduo como uma “folha em branco”, em  que toda sua construção psíquica e social será feita pelo meio social e natural, desvelando a influência dos fatores esternos na percepção de mundo do ser. Isso pode ser explicitado com casos simples como o acolhimento de uma religião devido o ensinamento dos pais por parte de um indivíduo. Expondo tal suscetibilidade humana, torna-se eloquente como as notícias falsas podem alienar e manipular uma sociedade.

Por conseguinte, uma vez que se empenha em manipular e alienar uma parcela da população, coloca-se em riso a democracia. Já que pessoas mal intencionadas podem utilizar dos meios modernos de comunicação para propagarem inverdades que colaborem com seu posicionamento político, filosófico ou até mercadológico. Como exemplo, pode-se relembrar a preocupação que acometeu a população estadunidense acerca de como as notícias falsas podem ter manipulado os resultados da última eleição presidencial. Quando a nação mais poderosa da Terra se vê em tal crise de confiança, o que podemos dizer dos países em desenvolvimento como o Brasil?

Em vista dos grandes riscos das notícias falsas para com a democracia e para com as liberdades, faz-se necessário que os cidadão se atentem as fontes das notícias recebidas e chequem a autenticidade, visto que criação de agências de autenticação, assim como selos ou qualquer instrumento dessa natureza levaria a  questão a um paradoxo: que garante a autenticidade do selo? Então, o Ministério de Educação deve alertar através dos meios de comunicação os riscos das notícias falsas e instruir em como identificá-las, assim poderá difundir um senso crítico em toda sociedade, garantir a soberania das verdades e afastar a possibilidade de porem em cheque nossa democracia.