Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 03/11/2018

A origem da comunicação e de seus meios ocorreu devido à necessidade do homem de se expressar e de se relacionar. Nesse sentido, o desenvolvimento de novas tecnologias tem sido um fator propulsor da difusão do conhecimento. Contudo, com a criação da internet, surgiram as fake news, as quais, diante de uma precária formação educacional e de uma incipiente educação digital no Brasil, têm causado diversos prejuízos aos indivíduos. Destarte, em vista dessa realidade se constituir um problema na sociedade brasileira, é indispensável sua abordagem, bem como a busca de alternativas para evitá-la.

Nesse contexto, como idealiza o sociólogo e pedagogo Paulo Freire, a educação eleva e emancipa o indivíduo e, dessa forma, blinda-o de ficar à mercê de opiniões diversas e fantasiosas. Dessa forma, é notório que um precário nível de instrução por parte da população acarreta baixa autonomia de pensamento e pouco critério em relação à identificação de notícias sem veracidade. Isso, infelizmente, é observado em nossa sociedade, pois, de acordo com o Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, apenas um percentual de 8% das pessoas entre 15 e 64 anos são consideradas capazes de entender e se expressar por meio de letras e números.

Ademais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acesso ao mundo virtual tem sido a forma de preferência pela leitura, principalmente por meio de aparelhos celulares. No entanto, ainda não há uma legislação que regulamente a internet e conscientize os usuários em relação ao conteúdo acessado e compartilhado. Por conseguinte, a web pode facilitar a proliferação de boatos, prejudicar os indivíduos e causar uma “poluição espiritual”, conforme afirma o jornalista brasileiro Heitor Cony. Como exemplo, tem-se o caso da moradora do litoral paulista, que, devido à disseminação dos rumores dela praticar magia negra com crianças, foi espancada até a morte.

Portanto, é imprescindível se evitar o avanço dessa problemática no país. Para isso, faz-se mister a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) identificar as ameaças à segurança pública gerada por meio das fake news, mediante a investigação das mesmas nas redes sociais e na mídia televisiva, a fim de que a população seja assegurada de danos morais e físicos. Além do mais, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) invista em educação digital, por meio de cursos presenciais e online, com o fito de oferecer instruções sobre como reconhecer notícias falsas. Outrossim, o Governo Federal deve criar centrais de disque-denúncias, com o objetivo de receber notificações de casos de ilegitimidades e, assim, possa inferir as devidas punições aos que cometerem tais atrocidades. Dessa maneira, haverá a possibilidade da comunicação ser utilizada de modo justo e verídico.