Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 27/09/2018
A divulgação de notícias falsas sempre esteve presente na sociedade moderna, principalmente a partir do desenvolvimento da imprensa no século XII. Na França, por exemplo, foram criados jornais que se tornaram especialistas em publicar boatos. Com o advento da terceira revolução industrial e o desenvolvimento da internet, esse fenômeno alcançou escalas muito maiores e, atualmente, cada cidadão é um potencial criador e propagador de notícias, sejam elas verdadeiras ou não e, quando não são, geralmente sua divulgação tem objetivos específicos. Dessa forma, torna-se necessário analisar quais os fatores que propiciam o grande alcance das fake news.
É preciso avaliar, antes de tudo, que a mídia exerce um papel fundamental na questão em análise. O filósofo contemporâneo Michel Focault afirma que todo discurso é político, isto é, parcial. Sendo assim, a disseminação de fake news tem estreita relação com interesses políticos e econômicos e, devido a isso, esse tipo de jornalismo se tornou um negócio altamente rentável segundo a Revista Forbes Brasil. Tal publicação também demonstra que a epidemia de notícias falsas foi, em 2016, um dos fatores fundamentais para a ascensão da campanha do então candidato a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.
Além do papel do emissor, é preciso observar como o receptor se comporta diante dos boatos amplamente divulgados. A população não tem o hábito de checar a veracidade de toda informação e, aliado ao fato de as fake news geralmente contemplarem assuntos polêmicos e se apresentarem de forma apelativa, essas notícias circulam cada vez com mais força. Um estudo realizado pela Revista Veja numa rede social demonstrou que apenas 10% das pessoas que compartilharam ou se manifestaram acerca de uma reportagem parcialmente mentirosa realmente a leu por completo.
Torna-se evidente, portanto, que as fake news se desenvolvem pela ação de diferentes personagens, aquele que a cria e aquele que a propaga, e que elas devem ser combatidas. Para que isso ocorra, o Governo Federal deve executar de forma clara o Marco Civil da Internet, Lei que regula o uso da rede no Brasil e prevê direitos e deveres aos seus usuários, a fim de propiciar a imparcialidade da imprensa. Além disso, o cidadão, a fim de contribuir com a interrupção da disseminação das noticias,deve utilizar o método cartesiano na análise das informações, ou seja, duvidar de todas elas, questionando a veracidade das mesmas, avaliando se tal conteúdo tem como objetivo beneficiar ou depreciar alguém ou alguma instituição ou se o contexto é adequado. Descartes, em sua época, afirmou que assim o conhecimento gerado seria perfeito, logo, se aplicado à questão, o alcance das fake news tende a reduzir e seus impactos a diminuírem.