Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/09/2018
Segundo o filósofo Aristóteles, “O menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança”. A frase do pensador evidencia o amplo e perigoso alcance da disseminação de informação inexata, incompleta ou manipulada. Diante disso, torna-se indispensável analisar a rapidez e a facilidade de propagação de conteúdo falso, capaz de influenciar a opinião pública.
A priori, é válido ressaltar o incentivo financeiro para criação e difusão de notícias fraudulentas, visto que ganha-se dinheiro pela quantidade de cliques e visualizações. Desse modo, dá-se o compartilhamento de dados, sem haver verificação da procedência e da veracidade dos elementos descritos. Por conseguinte, de acordo com a Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas divulgam “fake news”, notícias falsas. À vista disso, é mister que os órgãos e meios de comunicação viabilizem a execução das recomendações da Declaração sobre a Liberdade de Expressão e Notícias Falsas, Desinformação e Propaganda.
Somado a isso, cabe salientar o forte teor de sensacionalismo incluso nos conteúdos das inverdades, que através de posts polêmicos e comoventes, manipula o debate público isentando-o da realidade factual e conduzindo-o a uma ótica específica. Com efeito, verifica-se acusações de que houve suposta interferência de fake news no resultado do processo eleitoral dos Estados Unidos em 2016, além das mentiras espalhadas nas redes sociais sobre a vereadora Marielle Franco, após sua morte. Assim, nota-se a divulgação de informações que validam pontos de vistas, conforme tiram a credibilidade de determinada pessoa, corrente ideológica ou política. Logo, é vital a instauração do projeto de alfabetização midiática e informacional idealizado pela UNESCO.
Destarte, para combater a facilidade de propagação de conteúdo incerto, faz-se necessário que o Conselho de Comunicação Social aliado aos meios de comunicação, possibilitem a efetividade do conjunto de recomendações que constam na Declaração sobre a Liberdade de Expressão e Notícias Falsas, Desinformação e Propaganda. Ademais, é imprescindível que a UNESCO junta ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promovam a realização do projeto de alfabetização midiática e informacional nas instituições públicas de ensino, para esclarecer a desinformação hodierna. Enfim, cidadãos terão acesso a informação qualificada e democrática para analisarem de forma crítica e reflexiva.