Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/09/2018

A problemática das Fake News não é uma invenção atual: no século XVIII, na França, era comum a criação de jornais de fofocas para denegrir as pessoas. Desse modo, hodiernamente, o problema continua enraizado na sociedade. Sendo assim, é necessário analisar como a mídia e a alienação da população contribuem para manter o problema no Brasil atual.

Mormente, os meios midiáticos contribuem significativamente para a continuidade da problemática. Isso ocorre devido aos interesses políticos presentes por trás da disseminação de notícias falsas, com o intuito de tirar vantagens e conseguir apoio ao difamar alguém, conforme sustenta Michel Foucault ao afirmar que todo discurso é político, parcial. Lamentavelmente, esse cenário ainda é muito comum em campanhas eleitorais, como ocorreu com Hillary Clinton, candidata a presidência da república nos EUA, que foi alvo de Fake News ao ser associada ao tráfico de crianças. Sendo assim, não é razoável  a ocorrência desse fenômeno demasiadamente prejudicial em uma sociedade bastante globalizada e inter-relacionada como a contemporânea.

Outrossim, a própria população contribui com a preservação da entrave. Isso é justificado pelo fato de que parte da sociedade brasileira não possui criticidade suficiente para analisar os fatos e acreditam em qualquer conteúdo disseminado pela mídia, o que os tornam alienados perante a realidade. Infelizmente, essa postura afeta grande parte da população nacional, de acordo com dados do portal de notícias G1 em que mais de 40% dos brasileiros não sabem identificar imagens e notícias manipuladas e sensacionalistas, o que os caracteriza como estáticos uma vez que contrapõe o dito por Antoine Lavoisier de que tudo se transforma. Assim, é alarmante a continuidade desse infortúnio na contemporaneidade, na qual as relações políticas, sociais e econômicas sustentam-se na tecnologia.

Fica evidente, portanto, que a questão das Fake News no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso,  o Sistema Legislativo deve aderir ao Fact-Cheking -modalidade do jornalismo que multa quem cria e dissemina falsas notícias- por meio de sua transformação em lei, com o Ministério Público responsável por fiscalizar, para assegurar a veracidade das informações. Além disso,o Ministério da Educação deve introduzir na grade curricular das escolas a matéria de  Metodologia Científica, com assistência de professores de Filosofia, a fim de que desenvolva nos alunos o senso crítico necessário para validar os fatos. Assim, haverá rompimento com as indagações de Foucault e Lavoisier e a construção de uma sociedade íntegra e racional será possível.