Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 30/09/2018

Com a chegada da Revolução Técnico-científica, o mundo entrou na era da globalização, em que a disseminação de informações se tornou rápida e dinâmica. No entanto, essa facilidade no acesso à informação também traz desvantagens, como a leitura e o compartilhamento de notícias falsas, as chamadas “fake news”, que tem causado graves consequências sociais e políticas à sociedade. Os principais objetivos dessas são a monetização de sites e plataformas, como também o direcionamento ideológico por determinados grupos sociais.

Em primeira análise, dentro do âmbito político, a propagação de informações inverídicas ou de cunho enviesado, também chamadas de “junk news”, tem demonstrado grande influência nos desfechos eleitorais, visto que, os eleitores utilizam, cada vez mais, as redes sociais como meio para formação de opinião. Diante disso, os grupos políticos exploram essa ferramenta no sentido de polarizar as discussões em favor ou contra os candidatos, como também para reforçar posicionamentos ou fatos, como ocorreu em 2016 nas eleições presidenciais norte-americanas, em que a candidata Hillary Clinton foi alvo de fake news durante toda campanha, o que pode ter, segundo pesquisadores americanos, afetado o resultado final da eleição.

Neste contexto, tem-se ainda, as consequências sociais dessa propagação desenfreada de conteúdos incoerentes com a realidade. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, cerca de 12 milhões de pessoas compartilham notícias falsas na rede, sendo que, muitas das vezes isso é feito de forma deliberada buscando atacar ou silenciar minorias, como homossexuais, negros e mulheres por exemplo, com o objetivo de difundir pensamentos racistas, homofóbicos e misóginos nas plataformas. Esse comportamento está ligado ao conceito de pós-verdade, no qual distribuir a opinião expressa é mais importante do que verificar sua veracidade. Isso decorre da necessidade de afirmação de ideais, principalmente em discussões de cunho político e/ou religioso.

Torna-se evidente, portanto, que a disseminação de notícias falsas tem provocado sérios prejuízos à sociedade. Desse modo, é necessário que a União, através da Polícia Federal, institua um sistema de detecção de sites e plataformas envolvidas na indústria de fake News, para que estas possam ser responder criminalmente. Bem como, é imprescindível que os gerenciadores das redes sociais executem varreduras com algoritmos, que identifiquem conteúdos enganosos e os bloqueiem, sobretudo aqueles que contenham patrocinadores. Ademais, é dever de toda sociedade verificar as informações recebidas, utilizar sites seguros, e não compartilhar dados e notícias de caráter apelativo ou duvidoso. Dessa maneira, será possível construir uma rede mais segura e confiável para todos.