Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/10/2018

“Desde as 5h45min o fogo está sendo revidado”. Esta foi a mentira proferida pelo chanceler do Reich e ditador, Adolf Hitler, que deflagrou um dos maiores conflitos já vistos, a Segunda Guerra Mundial, quando simulou uma invasão polonesa falsa na rádio alemã. Nesse aspecto, por mais que discursos mentirosos e manipulados tenham virado alvo de maiores discussões nos últimos anos, eles já causam prejuízos políticos, sociais e econômicos imensuráveis desde o século XX.

Verifica-se que, com o advento da internet, sua popularização e a ausência de instruções acerca desse meio, os discursos de pós-verdade – palavra do ano de 2016, segundo a universidade de Oxford, visto que o uso desse termo pela mídia global cresceu 2000% em relação a 2015, popularização provocada, sobretudo, pelo Brexit e pelas eleições presidenciais dos Estados Unidos - são cada vez mais comuns. Sendo assim, em questão de segundos, inúmeras notícias são compartilhadas, em várias redes sociais, sem a confirmação da veracidade do que se está difundindo.

Dessa forma, uma população inteira pode ser manipulada e enganada devido à proliferação de notícias falsas ou incompletas, e ter atitudes que provocam danos irreversíveis. Como exemplo pode-se citar um acontecimento de 2014, no Guarujá, com a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, espancada até a morte por moradores da cidade após a divulgação de boatos que afirmavam o envolvimento da mulher em rituais de magia negra com crianças.

Portanto, para dar fim a essa era de pós-verdade, fica evidente que as escolas devem promover debates e palestras, ministradas pelos próprios professores, direcionadas a toda comunidade escolar, sobretudo aos jovens, principais usuários dos meios difusores de notícias, que afirmem a necessidade de uma real vigilância epistêmica por parte de todos, para que casos como o da dona de casa não se repitam. Além disso, o Poder Legislativo deve providenciar para que haja uma lei específica que criminalize a criação e disseminação de “fake news” e garanta que não haja a impunidade dos criadores de discursos manipulados. Ademais, a mídia televisiva, que possui grande alcance, principalmente em horários de pico, também tem o importante papel de influenciar as pessoas a analisar a veracidade dos fatos antes de compartilhá-los, por meio de anúncios e divulgação de casos como o de Fabiane, a fim de garantir que notícias falsas parem de gerar tantos prejuízos, tanto sociais quanto políticos e econômicos.