Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 07/10/2018

Uma situação crescente e alarmante no Brasil é a das notícias falsas. Habitualmente chamadas de “Fake News”, elas estão mudando o rumo natural de muitas situações no mundo inteiro, desde eleições políticas a pior, campanhas sérias que visam a saúde da população.

Atualmente, se tornou comum o compartilhamento de “fake news” em redes sociais, seja por dizerem algo que favorece a própria opinião, seja por mera brincadeira. Entretanto, essas notícias podem ir muito além disso, se tornando um problema político e de saúde da população. Em 2015, no auge da epidemia do vírus Zika e da microcefalia no Brasil, várias informações surgiram dizendo que a verdadeira causa disso eram as vacinas vencidas da rubéola administradas em gestantes, o que, além de não ser verdade, fez com que muitos não levassem seus filhos para tomar o medicamento. Segundo o Ministério da Saúde, dos nove antivirais prioritários no calendário infantil, nenhum atingiu a meta de 95% de imunização da sociedade em 2017, com a culpa sendo atribuída em grande parte a esses boatos espalhados na internet, afetando não apenas os adultos que acreditam e viralizam essas mentiras, mas também suas crianças.

Além disso, o óbice se agrava quando os próprios veículos de informação, que deveriam ajudar a apurar e desmentir essas inverdades, contribuem para elas. Uma guerra desenfreada por audiência se instaurou nas mídias digitais, indo muito além de títulos sensacionalistas e caindo na zona negra das “fake news”. Como Farhad Manjoo conta em “True Enough”, as pessoas estão mais propensas a compartilhar notícias quando encontram uma que favorece a própria opinião, especialmente em temas mais complexos, sem uma resposta clara. Portanto, Jornais, revistas, sites e até canais do YouTube conseguem muito mais engajamento quando favorecem uma ideia que já estava formada, e se isso rende mais popularidade, melhor ainda para as redes como Facebook circularem essas ideias. É um ciclo vicioso que só deixa o problema ainda mais difícil de ser tratado.

Fica claro, portanto, a necessidade da criação e intensificação de mecanismos que cessem essa prática. Para isso, deve-se realizar uma coalizão entre os principais veículos de mídia sérios do país, que farão toda a análise jornalística por trás de potenciais “fake news”, dando origem a um indexador público, onde as pessoas possam procurar e verificar a veracidade das notícias compartilhadas com ela. Isso tornará o papel do leitor, que é de apenas mostrar aos outros o que for verdadeiro, muito mais fácil e rápido. Só assim será possível uma queda drástica no número de mentiras espalhadas na internet.