Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/10/2018

Armadilhas Virtuais

Platão, filósofo grego, afirmou, através do Mito da Caverna, que os conhecimentos na Terra são apenas sombras, defendendo a importância da investigação filosófica na apreensão da realidade. No século XXI, alguns temas ainda reforçam essa ideia. A reflexão em torno da maximização das “Fake News”, característica da existência de frágeis questões de ordem educacional e do imediatismo dos veículos de comunicação, encaixa-se em tal cenário visto que corrobora as atuais dificuldades na promoção profícua do conhecimento à população.

Hodiernamente, embora a população brasileira esteja lendo mais, a qualidade dessa leitura vem diminuindo paulatinamente, pois é inteligível que há um crescimento exponencial na dificuldade de interpretação e compreensão de diferentes gêneros textuais, sobretudo o jornalístico. Por conseguinte, os cidadãos tornam-se inábeis para a construção de um caráter crítico diante das notícias veiculadas diariamente nos meios de comunicação. Nessa perspectiva, os debates públicos acabam sendo circundados por notícias que, muitas vezes, são compreendidas de forma errônea e propagadas com inúmeras distorções ou falsas informações, contribuindo com a permanência do atual cenário da pós-verdade.

Além disso, ao fazer uma análise da atual conjuntura nacional, denota-se que a internet se tornou a principal ferramenta de propagação de informações, logo, o acesso a novas notícias se tornou frenético. Entretanto, criou-se um cenário em que a velocidade de formulação dos conteúdos foi demasiadamente valorizada em detrimento da própria qualidade informacional e, consequentemente, tornou-se relevante a facilidade de acesso a notícias falsas que visam reforçar ideais políticos, crenças pessoais e manobrar a opinião pública que, diante diante da ausência de senso crítico, acaba sendo utilizada  como massa de manobra.

Faz-se premente, portanto, medidas que evitem que tal problemática se perpetue e se torne intrínseca à realidade nacional, pois corrobora as atuais adversidades no diálogo público e na promoção do conhecimento. Nessa perspectiva, denota-se a importância da escola no resgate à leitura de qualidade, que poderá ser projetado pelo MEC, tornando obrigatório o curso da disciplina de estudos linguísticos, fazendo com que o aluno seja capaz de interpretar, entender o contexto social, bem como as pretensões dos autores de obras literárias. Além disso, o Poder Legislativo deve acatar o projeto de lei já existente sobre a tipificação penal acerca da criação e divulgação de tais notícias falsas. Logo somente assim, o direito à liberdade de expressão será garantido de forma responsável e digna.