Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/10/2018
Em um momento pretensiosamente intitulado “Era da Informação”, vive-se um estado que transita entre a ignorância complacente e a reafirmação auto condescendente: tende-se a acreditar cada vez mais naquilo que parece verdadeiro – o que é invariavelmente semelhante ao que já se “sabe” - em lugar de esforçar-se em busca da dita informação. Hodiernamente, a crescente desconstrução e reconstrução de fatos é produto de um teatro interativo no qual atores e plateia fabricam o espetáculo com verossimilhança, mas nem sempre verdade.
Em uma primeira análise, a culpa primordial das “fake news” é do seu criador. Este, munido de más intenções e artimanhas de manipulação, alça uma inverdade ao patamar de realidade, com o intuito de beneficiar a si ou à sua causa ou prejudicar a outros. Com o auxílio de ferramentas digitais, essas artimanhas adquirem potencial avassalador, visto que o mundo virtual é um universo à parte, no qual qualquer um pode assumir papel de protagonista e de audiência, criando uma poderosa rede de influência sem o correspondente alicerce baseado na ética e na responsabilidade. No Brasil, a prática evoluiu rapidamente das fofocas vespertinas da televisão para acusações infundadas no Facebook, o que chegou a causar o linchamento de uma mulher inocente.
Em uma segunda análise, a razão da popularidade desse tipo de notícia é invariavelmente o engajamento da própria audiência “ludibriada”. Novamente, a tecnologia permite a conexão de um grande número de pessoas que podem, por sua vez, disseminar uma enorme quantidade de informações. Se o indivíduo repassa tudo que a ele é encaminhado sem o devido discernimento, cria-se um potente mecanismo de fortalecimento da inverdade, secundário à sua emissão – a reafirmação “boca-a-boca”, na versão virtual – que além da repetição numérica, beneficia-se do fator da intimidade entre os envolvidos, tornando a mentira maldosa um conselho, uma orientação “bem intencionada”.
Diante do exposto, urge ao Estado a criação de estratégias que coíbam a criação e disseminação de notícias falsas. Os Ministérios da Comunicação e da Justiça devem, juntos, investir em um serviço virtual de denúncias de “fake news” sobre questões que possam desencadear o pânico e a violência, a fim de que sejam analisadas e então apuradas as responsabilidades, facilitando a aplicação das devidas medidas penais, já previstas por lei. Outrossim, os mesmos órgãos devem estimular a conscientização acerca dessa problemática, por meio de campanhas publicitárias, bem como promoção de palestras para debate em ambientes escolar e laboral, esclarecendo ao brasileiro o seu papel como criador, receptor e emissor de conteúdo. Desse modo, o Brasil posiciona-se proativamente na valorização e respeito à verdade, um bem extremamente raro na suposta “Era da Informação”.