Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/10/2018

Por uma sociedade com menos cavernas

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, já afirmava o Ministro de Propaganda de Hitler, figura essa que, apesar dos crimes indefensáveis, tornou-se herói nacional graças a um jornalismo manipulador e alienante. Tal frase permeia ainda episódios da história brasileira, como a criação do Mito do Pai dos Pobres para Vargas, diante de uma ditadura velada. Assim, é perceptível que o falseamento da realidade por meio das notícias tem, ao longo do tempo, se mostrado crucial no sentido de orientar a população contra ou a favor diante de momentos socialmente fundamentais. Nesse sentido, é válido analisar os perigos da Fake News e, por consequência, a ameaça à democracia do Brasil.

De início, é importante entender que uma mídia tendenciosa é capaz de cercear o livre pensamento influenciando e alienando comportamentos sociais em função da pulverização de notícias falsas. Isso ocorre porque os veículos de comunicação estão permeados de interesses dos grupos que os controlam e direcionam seus expectadores a um ponto de vista, a fim de torná-los coniventes com suas aspirações, fazendo isso por meio do falseamento da realidade, da omissão e da distorção dos fatos. Isso pode ser explicado pela Teoria da Razão Instrumental da Escola de Frankfurt, a qual defende que o conhecimento e o fluxo informacional são sempre fornecidos por um grupo, de tal forma que servem aos interesses dele e circulam como fato, como verdade.

Nessa perspectiva, percebe que essa distorção da realidade configura uma ameaça à democracia. Isso porque, ao recortar fatos e ordená-los de maneira a sugerir o que se deseja, tal como uma obra cubista mescla frações da realidade, a mídia condiciona a população a um pensamento e torna o povo massa de manobra para os interesses dos grupos que controlam essas grandes mídias. Dessa forma, o poder de decisão sobre a política e a sociedade do país não está realmente nas mãos do povo, o que é um atentado à democracia plena.

Portando, mediante os argumentos supracitados, é necessária a atuação intensa da sociedade em prol do direito de uma comunicação isenta, ou no mínimo, mais honesta. Isso pode ser feito por meio da criação de Fóruns nas redes sociais, em que haja debates sobre os últimos fatos noticiados, denúncias de parcialidades graves, pois a concessão de mídias a partidos é considerada crime. Além disso, é importante que, não havendo jornalismo totalmente neutro, as pessoas diversifiquem suas fontes de notícias, além de entrar em contato com quem as escreve, questionando, e não permitindo o fluxo de via única, o que é imprescindível para fuga da “Caverna”, tão mencionada por Platão ainda na Antiguidade Clássica.