Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 02/10/2018
A propagação de Fake News não é uma fato atual, tendo em vista que foi um artifício bastante utilizado pelo partido nazista, ainda na Segunda Guerra, para angariar seguidores e legitimar seus ideais antissemitas. Entretanto, hodiernamente, em vista da popularização e do poder das mídias digitais, a divulgação de notícias falsas tomou proporções alarmantes, no Brasil e no mundo. Nesse contexto, revelam-se fatores perigosos para a sociedade a facilidade com que as Fake News chegam às pessoas, assim como a falta de postura crítica destas no processo de obtenção de informações.
Em primeira análise, cabe pontuar que, em meio a plataformas facilitadores da disseminação informacional, infelizmente, o fenômeno das Fake News foi potencializado. Tal fato se dá em razão da velocidade com que as informações e notícias falaciosas são veiculadas e, ao mesmo tempo, repassadas no ambiente virtual, bem como o alcance enorme que esse lhes proporciona. Segundo Joseph Goebbels - Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista - uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade. Dessa forma, pode-se compreender quão nefasta é a associação entre notícias inverídicas e plataformas virtuais, haja vista a expansão sem precedentes da deturpação da verdade. Comprova-se isso mediante a análise dos recentes escândalos envolvendo a divulgação de notícias falsas de viés político, em redes sociais, durante as eleições presidenciais norte-americanas.
Outrossim, convém frisar que a postura acrítica da maioria dos cidadãos frente às notícias veiculadas, sobretudo no meio digital, favorece a perpetuação da problemática das Fake News. Essa realidade é decorrente, principalmente, da falta de uma educação digital, por parte da população. Com efeito, são poucos os que refletem mais profundamente sobre o conteúdo das notícias lidas ou, ao menos, procuram a saber a fonte dessas. Assim, sem nenhum tipo de filtragem os indivíduos passam inverdades adiante, o que dificulta o trabalho para descaracteriza-las e retira-las do ar.
Torna-se evidente, portanto, que, a fim de conter o avanço das Fake News e dificultar a disseminação dessas nas redes, é mister que as plataformas digitais informacionais desenvolvam mecanismos que que atenuem a facilidade de propagação de informações falsas, a exemplo do que fez a empresa do Whatsap - que disponibilizou em seu aplicativo um recurso que avisa quando uma mensagem recebida foi, na verdade, encaminhada de uma outra conversa. Ademais, é imperioso as instituições de ensino coloquem em pauta, corriqueiramente, a questão da educação digital, assim promovendo aulas interativas que usem as redes sociais, destacando a ética no ambiente virtual e elencando formas pelas quais os indivíduos possam diferenciar as notícias falsas das verdadeiras. Desse jeito, poder-se-á efetivar o direito de acesso à informação em sua plenitude.