Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 06/10/2018

Verdade fragilizada

No século XV, Johannes Gutenberg deu início à imprensa e democratizou o acesso à informação por meio de seu invento. Entretanto, na contemporaneidade, a criação de Gutenberg cedeu lugar à de Zuckerberg: o “Facebook” que, junto a outras mídias sociais, propagam notícias parciais. Destarte, é preciso analisar a forma como a chegada de informações falsas atuam como discurso de controle e como ela pode prejudicar os interesses nacionais.

Em primeira análise, informes inverídicos atuam como discurso de controle simbólico. A esse respeito, o sociólogo francês Michael Foucault defendia que as estruturas linguísticas são capazes de impor verdades aos interlocutores. Desse modo, as fontes que veiculam informações infundadas reafirmam pontos de vistas e motivam as ações dos indivíduos, mesmo sem provas concretas. Nesse contexto, dados que circulam na mídia e internet brasileiras exercem poder sobre os cidadãos, pois toda linguagem é dotada de ideologia, segundo Foucault. Ocorre que significativa parcela da sociedade brasileira ainda não compreende o poder do discurso.

Sob outro viés, a disseminação de informes falsos pode acometer os interesses de uma nação. Nesse sentido, em 1995, chegaram a Nelson Mandela boatos segundo os quais ocorreriam atentados durante a Copa de Rugby. Todavia, essas informações não se concretizaram e a África do Sul sediou os jogos normalmente. No entanto, em oposição ao caso de Mandela, muitos brasileiros permanecem superestimando conteúdos político-sociais infundados, de modo que, enquanto a cultura de indiferença à veracidade se mantiver, a pátria será obrigada a conviver diariamente com um dos mais graves impasses para a pós-modernidade: as Fake News.

Impende, portanto, que a continuidade da desinformação seja combatida na contemporaneidade brasileira. Sob tal ótica, a Agência Lupa - pioneira em “fact-checking” no país - deve ensinar ao corpo social a questionar a exatidão de todos os conteúdos veiculados, por meio de campanhas de aferição de verossimilhança, a exemplo do tipo de fonte e linguagem utilizadas no conteúdo a ser checado, com o intuito de que cada indivíduo se torne um verificador de informes incertos. A mídia, por sua vez, deve utilizar de sua capacidade de propagação de informação para difundir dados verídicos, por intermédio de projetos educativos de estimulo à temáticas fidedignas, a fim de se tornar um meio de comunicação transparente e confiável para a sociedade. Com essas iniciativas, poder-se-á preservar os interesses nacionais, e o Brasil deixará de ter, na prática, a verdade fragilizada.