Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/10/2018
Na Grécia Antiga, os sofistas propagavam inverdades por meio da retórica para convencer indivíduos e manipular informações. No contexto atual, também são muitos os artifícios utilizados para disseminar fatos inverídicos, como é o caso das “fake news”. O termo consiste na proliferação de boatos e notícias falsas como se fossem autênticas, por meio da manipulação de imagens e matérias tendenciosas. Tal conjuntura é crítica e carece de medidas urgentes, ao influenciar a opinião pública e alienar os cidadãos, além de representar um ato que vai contra o direito à informação e poder agravar-se a ponto de lesar a integridade de indivíduos.
“O menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança”. A frase de Aristóteles ilustra como a divulgação das fake news nas redes sociais pode tomar proporções alarmantes, como ratificado pelas inúmeras manchetes e notícias que permearam a eleição do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afetando o cenário eleitoral e político. Tal situação decorre do compartilhamento sem critérios de publicações sensacionalistas, e pode influenciar desde os espectros sociais mais abrangentes, como escândalos públicos, até violar os direitos individuais, por meio de injúrias e calúnias pessoais.
Outrossim, é relevante analisar as motivações para o desenvolvimento e divulgação de inverdades nos meios de comunicação. O lucro ganho sobre as visualizações e cliques implica na criação exponencial de fake news, e é ampliado pela deficiente fiscalização e punição dos envolvidos. Tal produção de conteúdo falso remete à conceituação da natureza humana pelo filósofo Thomas Hobbes, que atesta que os seres humanos sobrepõe seus interesses pessoais às convenções sociais. Assim, ocorre o aprofundamento de um cenário permeado por falácias e manipulação, visando-se apenas as vantagens individuais e denegrindo-se motivações sociais.
Impende, pois, que medidas sejam tomadas para reverter as alarmantes consequências que as fake news têm na sociedade. Compete às instituições escolares inserir a educação digital no cotidiano dos alunos, por meio de sua inclusão na Base Nacional Comum Curricular, para auxiliar os estudantes a identificar notícias sensacionalistas e averiguar a veracidade de informações divulgadas na mídia, buscando formar cidadãos críticos e conscientes sobre o uso das redes sociais. Ademais, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral direcionar esforços para a identificação e punição dos evolvidos na criação de conteúdo falacioso, a partir do redirecionamento de verbas e investigação de denúncias, para erradicar sua elaboração. Assim, busca-se tornar as mídias digitais espaços confiáveis e verossímeis, e consequentemente democratizar o acesso à informações verídicas e fidedignas.