Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/10/2018

A popularização da internet, a partir da década de 1990, ampliou o acesso à informação e permitiu a comunicação, rápida e instantânea, entre pessoas de diversas partes do mundo. Concomitantemente, no entanto, também se tornou crescente a difusão de notícias falsas nas mais diversas esferas sociais. Nesse contexto, há de se considerar os crimes de ódio e o controle simbólico como principais perigos que as “Fake News” oferecem à sociedade democrática.

A princípio, é importante pontuar que a disseminação de conteúdos falsos oferecem danos, nas mais diversas proporções, às pessoas e às instituições. Isso porque um grande número de cidadãos ainda superestima e não critica muitos conteúdos políticos e sociais infundados. Assim, negligencia-se a análise e o aprofundamento do que é disseminado nos canais comunicativos, sobretudo em meios digitais como o “Facebook”. Com efeito, dada a indiferença à veracidade das informações, o Brasil será obrigado a testemunhar casos como o da brasileira morta, em 2014, após a divulgação boatos pejorativos que a descreviam como praticante de rituais de magia negra com crianças.

Ademais, é fundamental destacar que informações inverídicas também atuam como discursos de manipulação e controle, como as que contribuíram para manter o governo ditatorial de Vargas até 1945. A esse respeito, o sociólogo francês Michel Foucault afirmava que toda linguagem é dotada de ideologia e capaz de impor verdades aos seus interlocutores. Dessa forma, as “Fake News” podem impor pontos de vista e motivar ações por parte dos indivíduos. Nessa perspectiva, algumas fontes, motivadas por interesses políticos e econômicos, podem valer-se de notícias falsas para fortalecer e reforçar determinados posicionamentos no âmbito da política.

Torna-se evidente, portanto, que a veiculação de informações inverídicas é um dos mais graves problemas da pós-modernidade e uma ameaça à democracia. Dessa maneira, cabe aos órgãos midiáticos a promoção de campanhas e cartilhas que ressaltem a importância do hábito de questionar a veracidade do conteúdo que é divulgado nos canais de comunicação. Além disso, devem orientar os cidadãos quanto aos mecanismos para se checar se um texto tem carga falsa ou não. Outrossim, faz-se necessário que o Estado aumente a fiscalização das notícias disseminadas nos meios digitais e torne efetivas as punições para eventuais contraventores, como previsto no Código Penal brasileiro.