Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/10/2018

Na década de 1930, o exército brasileiro veiculou, através das rádios, um documento que supostamente continha um plano comunista de tomada do poder: o Plano Cohen. Anos mais tarde, o documento foi comprovado falso, porém sua divulgação gerou caos na sociedade brasileira da época e levou o país à sérias mudanças políticas, como a instauração da ditadura por Getúlio Vargas. Apesar de, atualmente, vivenciar-se a era da informação, onde o conhecimento produzido por diferentes fontes chega até seus consumidores de maneira rápida e volumosa, a divulgação de notícias falsas ainda apresenta-se como importante causador de caos político e social.

Em primeira análise, deve-se salientar que as novas tecnologias de mídia e comunicação, advindas da Terceira Revolução Industrial, provocaram a descentralização da informação e potencialização do seu alcance. Nesse contexto, a sociedade que antes dependia exclusivamente de instituições tradicionais, como o próprio governo, para se atualizar, hoje pode fazê-lo de forma mais diversificada e independente. Embora essa nova possibilidade seja benéfica para população, pois garante o estado democrático de direito, seu efeito colateral está no possível acesso a fatos inverídicos, de cunho sensacionalista, e na sua indevida, fácil e rápida propagação, atingindo de maneira danosa desde indivíduos até toda uma sociedade.

Dessa forma, é importante destacar que a notícias falsas tem sido fomentadoras de problemas políticos e sociais até os dias atuais. Tendo as redes sociais como principal meio de propagação, tais notícias estão ligadas, por exemplo, a casos de morte por linchamento na Índia e escândalos políticos durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016, e do Brasil, em 2018. Sendo assim, fica evidente que, juntamente avanço tecnológico-informacional, não houve a preocupação com desenvolvimento do senso crítico da sociedade perante essa problemática.

Enfim, para que a disseminação das notícias falsas seja prevenida, cabe às empresas gestoras dos meios de comunicação, principalmente redes sociais, o fortalecimento de sua segurança informacional, por meio do desenvolvimento de algoritmos que propiciem o reconhecimento e bloqueio de informações com indícios de falsidade, com o objetivo de se estabelecer, já na fonte, uma primeira e eficiente barreira. Ademais, cabe ao tripé governo, escola e mídia, a divulgação de medidas fáceis para a identificação e denúncia dessas notícias, a fim de que se mude o papel dos usuários de propagadores da informação para mitigadores do problema. Assim, alcançaremos um cenário de consumidores de informações mais conscientes e críticos, diminuindo as chances de serem usados como massa de manobra, a exemplo do que ocorreu na década de 1930.