Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/10/2018

Em 1937, o então presidente brasileiro, Getúlio Vargas, apoiou-se em uma farsa – a existência de um iminente golpe comunista – para a instauração de seu governo ditatorial. Ora, a difusão de notícias falsas não se restringiu a Era Vargas e, para além disso, tornou-se comum na era da informação digital. Nesse contexto, deve-se analisar como a baixa criticidade da população e interesses político-econômicos causam a expansão das Fake News e de seus perigos.

Em primeiro plano, a falta de consciência crítica por grande parcela da sociedade possibilita a propagação de notícias falsas. A esse respeito, segundo pesquisa da CNT/MDA, apenas cerca de 30% da população sempre verifica a veracidade das informações que circulam na internet. Desse modo, muitos são os que acabam ludibriados pelos conteúdos falaciosos que são criados através de ferramentas altamente persuasivas.        De outra parte, esse tipo de notícia é publicado a fim de se obter ganhos financeiros e/ou políticos. Nesse viés, a distribuição de inverdades e boatos tornou-se um grande negócio, sustentado na capacidade que as Fake News possuem de influenciar atitudes e comportamentos da população, assim como defendia o filósofo francês Michel Foucault, na tese segundo a qual toda linguagem é portada de ideologia e pode exercer certo controle sobre os indivíduos, assim como se pôde observar na manobra presidencial de 1937.

Torna-se evidente, portanto, que a disseminação de Fake News deve ser combatida. Para tal, cabe as instituições educacionais e a mídia atuar despertando a consciência crítica da sociedade por intermédio da exposição de mecanismos para identificação de notícias falsas, bem como, agir incentivando a denúncia dos meios midiáticos que se apropriem de inverdades. Essas iniciativas teriam por finalidade a construção de uma nação que busca e preza pela verdade.