Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 05/10/2018

Na escultura “O pensador” de 1880, o artista Auguste Rodin molda uma qualidade significativa do ser humano: o poder de se concentrar nos seus próprios pensamentos. É possível relacionar esse potencial da humanidade com os perigos das Fake News no Brasil, já que pensar - com criticidade - sobre essa problemática pode potencializar o processo de resolução. A partir disso, é válido analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem esse entrave.

De início, ressalta-se que o poder público mostra-se inerte ao permitir as notícias inverídicas. Isso por que falta investimento nas escolas, que não possuem um programa estudantil voltado para conscientizar o jovem, fator que deixa a população suscetível a essas publicações falsas. Constata-se, desse modo, que o contrato social foi rompido, posto que segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado manter o bem-estar de toda a coletividade.

Ainda, pontua-se que falta engajamento coletivo para se lutar contra as Fake News. A explicação disso é que a população não tem se organizado, de forma efetiva, para exigir do Legislativo uma atuação mais rígida contra quem propaga essas notícias, uma vez que elas podem prejudicar a imagem de algum indivíduo. Considerando os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman para compreender esse fenômeno, percebe-se que o pessimismo da modernidade exerce coerção sobre as pessoas , fazendo com que elas permaneçam inertes diante de quadros negativos.

Evidencia-se, portanto, que as Fake News devem ser combatidas. Por isso, é preciso que o Poder Executivo, juntamente com o Ministério da Educação, atue nas escolas, por intermédio do aumento de investimento em professores e criando novos programas estudantis, na intenção de auxiliar na criação de um senso crítico na sociedade. Além disso, é necessário que o cidadão atue como agente social, em conjunto com a mídia socialmente engajada, através da divulgação de palestras e debates com especialistas sobre a importância de uma legislação mais específica sobre esse mal, a fim de mobilizar o corpo social, para que este possa exigir do Estado uma atuação mais adequada. Desse modo, assim como a escultura de Rodin, seria possível alcançar o potencial humano de refletir sobre os problemas.