Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 04/10/2018

Getúlio Vargas, com o episódio conhecido como Plano Cohen, no século XX, utilizou a divulgação de notícias falsas para convencer a população acerca de seus interesses políticos e, assim, instaurar um regime ditatorial. Contudo, em plena era da informação, a divulgação de dados errôneos não se restringe aos indivíduos populares, tendo em vista que grande parte da sociedade tem contato, diariamente, com a recepção e a difusão de fake news, seja pelas redes sociais, seja pela mídia televisiva. Dessa maneira, é fundamental analisar como a busca pela satisfação dos interesses pessoais e a negligência dos receptores da comunicação configuram-se como perigos tangentes à manutenção das falsas informações no Brasil.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que, de acordo com o psicólogo americano Henry Murray, o ser humano tem a necessidade de trocar informações e obter conhecimento. Contudo, o ambiente virtual, ao mesmo tempo que atua de maneira positiva com o acesso facilitado à informação, também assume um caráter negativo no que tange à facilidade de distorcer e divulgar dados falsos. Prova disso é o grande número de indivíduos que, diariamente, têm o direito à proteção de sua honra e imagem, presente na Constituição Federal de 1988, desrespeitado. Dessa forma, ao mesmo tempo que as pessoas que mentem em redes sociais são imorais, também infringem a legislação brasileira.

De outra parte, convém frisar que a indiligência acerca da análise das notícias, por parte dos interlocutores, também é responsável pela disseminação de mentiras em redes sociais e resulta em efeitos fora delas. Isso acontece porque, ao se depararem com manchetes duvidosas, os leitores não averiguam a fonte e a veracidade do que leem. Prova disso é o grande número de pais que, em 2018, deixaram de vacinar seus filhos por conta de informações errôneas, por mais que o Estado realizasse campanhas pró-vacinação. Desse modo, fica claro que a comunicação equivocada causa danos ao processo de comunicação e, também, com o bem-estar social.

Nesse contexto, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, realize campanhas em redes sociais na forma de anúncios pagos, orientando os internautas acerca do reconhecimento de fake news e, também, dos malefícios causados à sociedade por conta da divulgação de dados equivocados, a fim de reduzir o compartilhamento desses. Ademais, é essencial que o Ministério da Saúde intensifique suas propagandas informativas, como as de vacinação, e expanda sua atenção ao público da internet, visando combater os boatos por meio da informação. Somente dessa maneira as fake news deixarão de representar um perigo para o bem-estar e a garantia dos direitos dos brasileiros.