Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 04/10/2018
O preço da falácia
Não é recente que a disseminação de informações inverídicas podem atingir proporções gigantescas e contribuir para persuadir e moldar opiniões das massas intencionalmente. Exemplo disso é o que ocorreu em 1937, com a divulgação de um documento militar que afirmava a existência de uma conspiração Comunista prestes a eclodir no Brasil durante a Era Vargas, o chamado Plano Cohen. Tal plano, adiou novas eleições presidenciais e alterou os rumos do país com a instauração do autoritário regime do Estado Novo. Analogamente, no panorama do século XXI, com o advento das mídias digitais e sua instantânea propagação, as “fake news” continuam sendo aliadas na distribuição de boatos caluniosos com viés político e difamatório, manipulando dados decisivos na formação de opiniões.
Em primeira análise, deve-se levar em conta que as notícias falsas não são criadas sem propósitos. Utilizando-se de títulos sensacionalistas e polêmicos, aliados a fotos e vídeos tirados de seus contextos originais, atraem a atenção do leitor ao reafirmarem uma crença do mesmo, levando-o ao compartilhamento em cadeia sem antes checar sua veracidade. Dessa forma, tal efeito dominó gerado, acaba por influenciar decisões políticas e traçar estereótipos errôneos, seja de figuras públicas como políticos e celebridades, ou de pessoas comuns.
Outrossim, tem-se como exemplo das consequências das notícias falsas, o período Nazista. Segundo o Ministro da Propaganda desse regime, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, e baseada nessa sentença, a imagem de líder para Hitler foi consolidada. Logo, se com poucos recursos tecnológicos esse totalitarismo atingiu proporções devastadoras, o que se esperar de um século tão pautado em tecnologias, em um mundo tão dividido ideologicamente? Certamente, uma guerra informativa travestida de jornalismo, principalmente em anos eleitorais, onde a cada “post” surge um novo salvador da Pátria.
Em síntese, portanto, é evidente os impactos das “fake news” nas opiniões públicas e ações da sociedade. Destarte, para extinguir o compartilhamento dessas inverdades, os Governos devem oferecer incentivos fiscais às mídias digitais que estabelecerem uma parceria com o Poder Judiciário de cada país, de modo que haja a denúncia por meio daquela à esfera criminal, aliado ao bloqueio e exclusão com mais eficácia do conteúdo inverídico, a fim de que se possa enquadrar criminalmente os coautores de notícias falsas. Ademais, cabe a sociedade a prudência e o bom senso no compartilhamento de informações. Só assim, portanto, fazer-se-á jus ao direito à liberdade de expressão tão depreciado atualmente, porém, tão custoso aos antecessores do século XXI.