Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 06/10/2018
A penumbra da aldeia global
Hieróglifos, papiros, redes de televisão, ultra computadores e internet constituem diferentes meios da evolução comunicacional do homem. No entanto, essa comunicabilidade está em xeque em virtude da grande quantidade de informações inescrupulosas, tendo em vista não apenas a velocidade de propagação nas redes sociais, mas também a falta de consciência e discernimento do leitor-compartilhador das notícias.
No que se refere à velocidade de propagação das informações, observa-se que as fake news podem gerar consequências perigosas mais imediatas do que as veiculadas em décadas anteriores. Dessa forma, o que antes era feito de porta em porta com idas a casa de vizinhos para tricotar ou especular condutas de pessoas conhecidas, hoje é realizado de forma mais agressiva direcionado na maioria dos casos a indivíduos públicos ou desconhecidos. O caso de uma mulher em São Paulo espancada até a morte por ter a imagem associada à magia negra em 2014, despertou os órgãos de segurança para os possíveis prejuízos sociais cujo propalar de notícias falsas podem acarretar para a sociedade de um modo geral, uma vez que aquela ação se pautou na irracionalidade e falta de senso crítico, conforme explica a Teoria da Ação Social de Max Weber.
Outrossim, a falta de consciência e de discernimento do leitor-compartilhador se configura como terreno fértil à indústria cultural de massa na medida em que a realidade é distorcida para manutenção de uma certa apatia ou reações segundo interesses específicos. Exemplo disso, é o ultrajante passado ditatorial brasileiro que se deveu não somente à prepotência de quem estava no poder, mas também a grande mídia a qual ajudou a arquitetar o grande golpe, travestido de “proteção ao perigo comunista”, tal qual faz em 2018 aventando o “perigo fascista”. Assim, a falta de reflexão crítica de grande parte da sociedade acerca do bombardeamento de notícias falsas ou incompletas colabora para o revezamento de elites dominadoras pouco comprometidas com mudanças sociais justas, sem falar nos fake news relacionados à vacinação que colocam em risco a saúde populacional.
Evidenciam-se, portanto, perigos significativos das fake news. Para que essas notícias sejam barradas e não veiculadas, urge a necessidade de um amplo trabalho de conscientização social - política pública de educação digital - e criação ou aprovação de leis para penalizar os responsáveis, mediados por ação conjunta dos poderes públicos e da sociedade civil, contando com o apoio da mídia compromissada socialmente. Assim, possibilitariam uma mudança ética, esclarecida e engajada na delação de possíveis vieses noticiários.