Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/10/2018
O ano era 1937, contexto do Brasil República repleto de divergências políticas, momento no qual o presidente Getúlio Vargas difundiu pelas mídias que um plano de implantação do comunismo, denominado Cohen, estava em curso no país. Anos depois, descobriu-se que o plano era falso e tudo constituía como manobra política. Embora tal fato tenha ocorrido no passado, constitui-se como um fenômeno extremamente atual na Era da Informação. Tal evento produz uma verdadeira massa de informações, que não significa abundância de conhecimento, mas sim, a necessidade de filtrar com senso crítico as informações verídicas das “fake news”.
A princípio, em um mundo globalizado, a informação é sinônimo de poder, principalmente para países que contam com políticas públicas bem integradas à sociedade e que querem se manter ativos no debate global. Exemplo disso foram as eleições presidenciais norte-americanas de 2016, as quais foram permeadas por “fake news” relacionados a russos que criaram mensagens pró-Trump. Nesse sentido, o ano de 2018 no Brasil - por ser ano eleitoral - constitui uma oportunidade para a disseminação de notícias falsas e, segundo o ministro Luis Felipe Salomão, membro substituto do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), esse é um grande desafio para o TSE este ano.
Ademais, segundo pesquisa do Instituo Reuters, cada vez mais brasileiros de grandes centros urbanos usam as redes sociais como fonte de notícias, embora a grande maioria não se preocupa com a procedência das informações, além do que 59 por cento dos “links” compartilhados nas mídias sociais não são nem abertos por quem os compartilha. Desde que o Facebook e o Instagram tornaram possível transmitir vídeos ao vivo, a rede social está oficialmente no meio jornalístico. Além disso, o Whatsapp facilita a veiculação de “fake news” pelo fato das notícias serem enviadas por pessoas conhecidas, o que confere uma sensação de confiança. Consoante a isso, vive-se o fenômeno da pós-verdade em que segundo o professor Leandro Karnal, ocorre quando a pessoa perde o vínculo com o real e passa a acreditar no que está na rede sem nem mesmo se certificar com provas concretas.
Dessa forma, o Poder Público, no papel dos deputados federais, deve fazer alterações legislativas para multar empresas de tecnologia que não checam a veracidade das informações que propagam. O objetivo é compartilhar a responsabilidade já que as organizações têm mecanismos de denúncia capazes de investigar “fake news”. Além disso, o Executivo deve organizar seminários para a formação de uma rede internacional de checagem, com jornalistas e sociedade engajados, a fim de ressaltar o quão devastador a disseminação de notícias falsas pode ser.