Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 04/10/2018

A Revolução Industrial que ocorreu no início do século XVIII, trouxe a ascensão dos sistemas de comunicação e o avanço tecnológico que perpetuaram a atual era da informação. Sob tal viés, no Brasil, a disseminação das Fake News, ou seja, as notícias falsas, apresenta-se como um desafio no que tange ao cumprimento de garantias do bem-estar social. Logo, é essencial pautar como o poder da mídia e a falta de criminalização interferem nesse contexto.

Em primeira análise, é necessário constatar que as mídias sociais transmitem informações e são usadas como formadoras de opinião. Porém, não é incomum receber notícias falsas via redes sociais hodiernamente. Diante disso, segundo o literato José Saramago, no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, utiliza a alegoria da cegueira branca para criticar a passividade do ser humano, muitas vezes, o indivíduo é incapaz de enxergar os fatos e, por esse motivo, aceita-os sem questionar a fidedignidade dos acontecimentos. Nesse âmbito, os internautas acabam compartilhando inúmeras notícias falsas e contribuem para a criação de uma enorme rede de mentiras na internet.

Paralelamente, a ausência de métodos que criminalizem os responsáveis contribui para o avanço da problemática. Isso porque, as empresas que produzem e disseminam Fake News estão construindo verdadeiras indústrias que se utilizam de todos os recursos disponíveis para espalhar diversos conteúdos falsos. Nesse sentido, segundo o filósofo Francis Bacon, o comportamento do homem é contagioso, o que evidencia  a perpetuação da reprodução de informações fictícias. Sob essa conjuntura, a propagação dessas inverdades pode ocasionar uma série de transtornos irreparáveis,  como exemplo concreto desse cenário, tem-se o caso ocorrido com o médico Dráuzio Varella, o qual teve seu nome veiculado à afirmação de que a realização do exame de mamografia estaria ocasionando o câncer de tireoide.

Dado o exposto, medidas que transformem esse cenário são cruciais. Em razão disso, o Estado  deve investir na segurança virtual, por meio de  programas tecnológicos que sejam capazes  de detectar notícias falsas na internet, a fim de encontrar os responsáveis pela disseminação de tais informações e penaliza-los com possíveis multas. Ademais, é indispensável que a mídia auxilie os seus usuários, visando conscientiza-los quanto ao compartilhamento de boatos e mentiras na rede e incentivando-os a denunciar  os sites  encarregados de tais conteúdos errôneos. Assim, poder-se-á consolidar o bem-estar da sociedade como um todo.