Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 11/10/2018
Durante a década de 30, o governo brasileiro divulgou o Plano Cohen, um documento forjado que continha um suposto plano para a tomada do poder pelos comunistas, estratégia que foi crucial para incutir o terror na população e abrir brechas para o golpe do Estado Novo de Getúlio Vargas. Apesar da chegada da era da informação, a disseminação de notícias falsas, as chamadas “fake news”, ganhou mais força e se configura uma ameaça à ordem social. Por essa razão, faz-se necessário pautar, o continuísmo dessa farsa e dos desdobramentos dessa faceta caótica.
A partir do fenômeno da globalização, os meios de comunicação, sobretudo a internet, se popularizaram, permitindo que, tanto a comunicação entre pessoas quanto a circulação de notícias, se tornassem instantâneas. Destarte, graças ao grande volume de dados, muitas vezes há divergência entre “popularidade” com “verdade”, propiciando o espalhamento de informações mentirosas. Em consequência, além do desconhecimento da verdade, indivíduos mal-intencionados ganham o poder de manipular a sociedade, corroendo o tecido social com tensões e insegurança.
Por outro lado, a precariedade do ensino formal também corrobora com a crescente onda de notícias falsas. De acordo com o psicólogo Piaget, o objetivo da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar e verificar o que lhe é apresentado. Nesse sentido, as escolas rompem com tal objetivo uma vez que, ao invés de fomentar o pensamento crítico e uma aprendizagem prática, impõem um conhecimento padrão. Assim, o espaço que, em tese, teria como função a formação cidadã do indivíduo, propicia a alienação social e, consequentemente, a constante difusão de inverdades.
Destarte, diante dos fatos supracitados, constata-se que os fatores que propiciam a continuidade e o crescimento das fake news no Brasil são entraves que necessitam ser revertidos. Torna-se imperativo que o Estado, na figura do Ministério das Comunicações, crie uma patrulha digital que monitore as redes de comunicação, através da identificação e verificação das notícias falsas, aplicando multas aos autores desses conteúdos, com o objetivo de evitar o caos e tornar o ambiente virtual mais seguro. Ademais, as escolas devem desconstruir modelos de ensino arcaicos, abrindo espaço para discussões e debates, bem como incluir na grade curricular o estudo da internet, para elucidar os mais jovens acerca dos seus riscos.